quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Um olhar pela lente

Amanhecer em Santarém.
Por Emir Bemerguy.


Áudio falso de Lula confirma a era das “fake news”


Leitores que se manifestaram sobre a postagem A era da desinformação, das “fake news”, do repassando lembram outro fato recentíssimo, que reforça a ideia de como o uso de redes sociais virou um instrumento reles, vil, repulsivo de manipulação e de mentiras que se expandem em progressão geométrica no universo da internet.
Trata-se de um áudio que mostraria suposto diálogo entre Lula e o ex-dirigente do PT Rui Falcão, logo depois do depoimento em que o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci comprometeu seriamente o ex-presidente petista, apontando-o como envolvido em atos de corrupção.
O áudio era uma imitação grosseira, horrível, ridícula da voz de Lula.
Mas, acreditem, não está no gibi a quantidade de gente que este repórter ouviu dizendo desconfiar que o áudio fosse de fato autêntico.
E nessa, digamos assim, meia crença, a mentirada, a empulhação, a desinformação e a manipulação de informações vão se processando incontrolavelmente.

Criminosamente, ardilosamente, de forme infame.

Temer faz de conta que denúncia não é com ele. Ou contra ele.

Michel Temer, presidente da República

Então, é assim: de novo, a Câmara precisará deliberar sobre se aceita a segunda denúncia contra o presidente Temer oferecida por Rodrigo Janot, agora ex-procurador-geral da República.
Quem é Janot?
É aquele que, ao deixar a PGR na semana passada, ainda teve tempo de mandar a procuradores uma carta afirmando, sem meias palavras, que “larápios egoístas e escroques ousados [...] ainda ocupam vistosos cargos em nossa República."
Quem é esse pessoal?
Sei lá.
Se Janot não disse, o blog não ser arvora a dizer. Mas sabe quem é – ou quem são – os larápios e escroques encarapitados nos altos escalões da República.
E não são poucos, vale acrescentar. Não são poucos.
A Câmara acolherá essa segunda denúncia?
Nesta quarta-feira (20), Temer afirmou: "Eu volto a dizer: estas coisas tem que ser apuradas, e eu não me preocupo minimamente com isso."
"Eu acho que [os ilícitos] devem ser apurados porque, apurados até o seu final, verificar-se-á quem são evidentemente os praticantes de ilícitos e quem não são os praticantes ilícitos. [...] Eu acho que a Justiça tem que continuar funcionando como funciona no Brasil", acrescentou o presidente.
Hehe.
Temer disse isso em Nova York.
Deixem ele voltar que vocês vão ver como fará 1,5 milhão de reuniões para tentar rearticular sua base e derrubar essa segunda denúncia.

Esperem só.

A Lava Jato em números

No Twitter do procurador da República Alan Mansur, os números dizem tudo.





Ações nos JEFs, a partir de outubro, só com agendamento prévio


O Juizado Especial Federal Cível, atualmente com quatro varas funcionando em Belém, passará a adotar, a partir de 1º de outubro deste ano, o agendamento prévio para as novas ações por jurisdicionados que não tiverem advogado público ou particular, de acordo com a Portaria 003-COJEF-PA (veja aqui a íntegra).
Competente para apreciar causas de até 60 salários-mínimos (R$ 56.200,00), os Juizados possuem um setor chamado de Atermação (na foto), onde são atendidas pessoas que, mesmo sem advogado, podem ajuizar ações que posteriormente serão distribuídas eletronicamente para a 8ª, 10ª, 11ª e 12ª Varas, especializadas em JEFs, onde tramitam atualmente cerca de 190 mil processos.
Assinada pela a juíza federal Carina Senna, coordenadora do Juizado Especial Federal Cível da Seção Judiciária do Pará, a portaria determina que os cidadãos interessados em ajuizar ações nos JEFs poderão fazer o agendamento pessoalmente, comparecendo ao setor de Atermação (situado no térreo do edifício-sede da Justiça Federal, na Rua Domingos Marreiros nº 598, bairro do Umarizal), ou na forma remota.
Inicialmente, para o agendamento remoto, será disponibilizado o telefone (91) 3299-6140, de segunda a sexta feira, no horário de 15h às 18h, devendo o jurisdicionado informar nome completo, CPF, telefone para contato e objeto da demanda. No agendamento presencial, o cidadão deverá comparecer à Atermação no horário de atendimento ao público em geral (09h às 18h), de segunda a sexta-feira, exceto nos feriados.
Documentos - A portaria ressalta ainda que, no dia agendado para o atendimento, o jurisdicionado será orientado a trazer consigo documentos indispensáveis para comprovar sua pretensão, tais como: atestados e laudos médicos, CTPS, comprovante de prévio requerimento administrativo (quando necessário), boletos de pagamento, extrato de inscrição do nome em cadastro do SPC/Serasa, cartas de cobrança, contracheques, fichas financeiras, boletim de ocorrência policial e demais elementos de provas hábeis a comprovar suas alegações.
A Cojef fundamenta, na portaria, que o agendamento prévio é necessário diante do “quadro insuficiente de servidores lotados no Núcleo de Apoio dos Juizados Especiais Federais para atender efetivamente à crescente demanda de litígios atermados. Menciona ainda a dificuldade de deslocamento e estadia dos jurisdicionados atendidos na Atermação, sobretudo os residentes na Ilha do Marajó e outros municípios mais distantes de Belém.


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A NET, essa porcaria, atrapalha a atualização do blog

Meus caros, vocês merecem uma explicação.
Nos últimos dias, o blog não foi atualizado. E não foi por falta de vontade do repórter. Nem por falta de notícias. Nem por falta de assuntos pra comentar.
Foi por culpa exclusiva da NET, essa porcaria, uma verdadeira e rematada porcaria, que vai, como se diz, mal a piau.
Não sei mais, sinceramente, o que fazer. Minha prioridade, no momento, é amainar o ódio no coração, mas também não estou conseguindo, porque a NET, quando pensamos que chegou ao limite da ineficiência e do desrespeito aos nossos direitos de consumidor, aí mesmo é que protagoniza o feito de superar-se.
Enfim, vamos tocando o barco, apesar da NET.

A era da desinformação, das "fake news", do "repassando"


Com todo o respeito aos que entendem o contrário, mas não, decididamente não vivemos a era da informação.
Vivemos, sim, a era da desinformação, da confusão, do repassando.
Vivemos a era das fake news, assim chamadas, em português de Portugal, as mentiras, a mentirada, a invencionice, a maluquice sem fim que se dissemina pelo WhatsApp e pelas redes sociais de um modo geral.
Nos últimos dias, circulou por uma infinidades de grupos no Zap postagem informando (mamããããããeeeeee!) que um bairro de Belém estava sendo dominado por arrastões de bandidos que, ousadamente, davam mostras da disposição de ampliar suas ações delituosas por vários outros bairros da cidade.
Em grupos dos quais faço parte, fiquei estupefato ao receber essa mensagem de manhã bem cedo, em vários períodos da tarde e à noite, tudo no mesmo dia.
Em resumo, e pela lógica da maluquice que impera nas redes sociais, o arrastão começou de manhã, prosseguiu à tarde e entrou pela noite. Continuamente. Continuadamente. Sem parar. Sem interrupção. Numa escala crescente.
E haja mandarem o mesmo zap com aquele odioso verbo ao final: repassando...
Tem sentido isso? Não tem, por óbvio.
Mas ninguém, quase ninguém raciocina mais.
Ninguém, ao receber essas mensagens imbecis, idiotas e implausíveis, para por um segundo sequer para concluir que são mentirosas.
Mas as repassam automaticamente. E ao final, registram: repassando.
E assim a desinformação se dissemina em progressão geométrica e incontrolável.
E vocês ainda querem que eu acredite que esta é a era da informação?
Não.
Repito: vivemos, sim, a era da desinformação, da confusão, do repassando imbecilidades e idiotices sem fim.

Na posse de Raquel Dodge, o retrato da nossa República


Espiem.
A foto foi publicada na primeira de O Globo desta terça-feira (19).
É um flagrante da posse de Raquel Dodge, a primeira mulher a assumir a Procuradoria-Geral da República.
A seu lado, e ao lado de Cármen Lúcia, ministra-presidente do Supremo, estão, da esquerda para a direita, Eunício Oliveira, presidente do Senado; o presidente da República, Michel Temer; e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, no momento o primeiro na linha sucessória, já que não temos a figura do vice-presidente.
Os três são investigados por grossa - para não dizer grossíssima - corrupção.
Esta é a nossa República, meus caros.
É a nossa República!

Com seis palavras, Jô encerraria polêmica do gol de braço

Vocês acompanha essa polêmica sobre o gol de braço do Jô, na vitória do Corinthians sobre o Vasco por 1 a 0, no último domingo?
Mesmo os que não gostam de futebol deviam acompanhar. Porque as consequências dessa parada estimulam muitos debates, inclusive e sobretudo sobre a ética no esporte.
Os fatos são simples.
Jô fez um gol com o braço direito.
Todo o Itaquerão viu. Todo o Brasil viu. O mundo inteiro viu.
Quem não viu?
O Jô.
Ele, só ele e apenas ele disse não ter visto que fez o gol com o braço.
Logo depois da partida, afirmou que fez o gol com o peito (hehe).
Agora, disseram ao Jô pra dizer isso que está aí embaixo.
E a emenda ficou pior que o soneto.
A suposta admissão forçada de Jô ficou pior.
Porque, afinal de contas, ninguém está interessado - pelo menos eu não - em saber qual a intenção do Jô quando fez o gol com a mão - se foi trapacear, se foi pra homenagear a namorada, se foi pra testar a competência do árbitro, se pra aumentar sua marca na artilharia.
Ninguém, assim, está preocupado com sua intenção - se foi nobre, edificante ou rasteira.
Estamos interessados apenas em que Jô diga assim, claramente: Fiz o gol com o braço.
Só isso.
Uma frase com seis palavras poderia resolver um milhão de explicações e justificativas.
Mas Jô ainda fica nessa de que só viu pela TV.
E quer que a gente acredite nisso.
Aí já é demais.
Fora de brincadeira.


Juizado Especial Federal altera valor de honorários de peritos

A Coordenação do Juizado Especial Federal (Cojef) Cível da Seção Judiciária do Pará emitiu portaria que fixa novos valores de honorários dos peritos médicos em várias especialidades e assistentes sociais. O último reajuste ocorreu em fevereiro de 2015 e em junho de 2016 para os peritos com especialidade em neurologia.
Na Portaria 002-COJEF-PA (veja aqui a íntegra), a juíza federal Carina Senna, coordenadora da Cojef, ressalta a dificuldade na contratação e manutenção de peritos médicos, “inclusive em razão do atraso no pagamento dos honorários periciais, desestimulando os profissionais a continuarem fazendo perícias no âmbito dos JEFs”.
A magistrada considera ainda, como fundamentos que justificam os novos valores, a escassez de peritos psiquiátricos, oftalmologistas, otorrinolaringologistas e neurologistas a aceitarem o encargo no âmbito da Seção do Pará e o elevado custo com o uso de transporte rodoviário e fluvial obrigatório para a realização de perícias socioeconômicas na maioria dos municípios que abrangem a Ilha do Marajó.
A partir de agora, de acordo com a portaria, o valor dos honorários dos peritos médicos, abrangendo as especialidades cardiologia, ortopedia, clínica geral, medicina do trabalho e perícia médica, será de R$ 240. Para os peritos em oftalmologia, psiquiatria, otorrinolaringologia e neurologia, os honorários são de R$ 290.
No caso das perícias socioeconômicas realizadas nos municípios de Afuá, Anajás, Breves, Bagre, Curralinho, Melgaço, Muaná, Ponta de Pedras, Portel e São Sebastião da Boa Vista, os honorários foram fixados em R$ 400, e de R$ 300,00 no caso de perícias em Salvaterra, Soure e Cachoeira do Arari. Em todos esses municípios, os assistentes sociais serão remunerados com R$ 240.

Fonte: Justiça Federal - Seção Judiciária do Pará

O que ele disse


"Precisamos acreditar nessa ideia e trabalhar incessantemente para retomar os rumos deste país, colocando-o a serviço de todos os brasileiros, e não apenas da parcela de larápios egoístas e escroques ousados que, infelizmente, ainda ocupam vistosos cargos em nossa República."
Rodrigo Janot, na carta em que se despediu do cargo de procurador-geral da República.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Partidos viram balcão de negócios. Quem dá mais?

Independentemente dessa reforma política que, mais uma vez, não deve sair mesmo, o submundo da política transformou-se, como sói acontecer em períodos pré-eleitorais, em um verdadeiro balcão de negócios.
O que há de emissários de partidos - vários, vale dizer - sendo procurados para acolher novos integrantes não está no gibi.
E vocês acham que essas negociações, digamos assim, subterrâneas se processam republicanamente?
Se vocês acham que sim, são ingênuos.
Muito ingênuos.
Com todo o respeito.

Farmácia tem mais regalia que órgão público e hospital

Espiem só a situação.
Em suas andanças por aí, leitor do blog fotografou esse absurdo: uma farmácia de manipulação na Bernal do Couto, entre Dom Romualdo de Seixas e Generalíssimo Deodoro, tem na frente um ponto para somente embarques e desembarques.
É muito, mas muito provável que não tenha obtido autorização para isso. Mas se teve, repita-se, é um absurdo!
Nesse mesmo quarteirão, há um órgão público federal e um hospital, que não têm, vale disse, a mesma regalia que a farmácia.




Quem vigia o Ministério Público?


Por Maílson da Nóbrega

A OPERAÇÃO Lava-Jato, conduzida pelo Ministério Público com a participação da Polícia Federal, é o mais bem­-sucedido esforço de combate à corrupção e à impunidade no Brasil. Ela tem permitido o que parecia impossível, isto é, a condenação de grandes empresários, políticos influentes, ex-ministros e até de um ex-presidente da República.
A operação beneficiou-se de novas realidades. No país, surgiram aprimoramentos para a detecção de movimentações financeiras suspeitas e a regulação da colaboração premiada. Ao mesmo tempo, a tecnologia digital facilitou o acesso a imagens e o registro, inclusive por smart­phones, da prática de corrupção.
No exterior, pressões de nações ricas levaram países antes avessos à abertura do sigilo bancário a fornecer valiosas informações. A cooperação com autoridades americanas parece ter sido igualmente fundamental para o trabalho dos procuradores.
Relevante foi também a autonomia concedida pela Constituição de 1988 ao MP. Antes vinculado ao Executivo, como em outros países democráticos, o MP conquistou capítulo especial na nova Carta. Ganhou inédita independência administrativa e financeira. Submete ao Congresso o seu orçamento e salários, o que gerou privilégios.
O MP tornou-se na prática um quarto poder. Não se subordina ao Legislativo, nem ao Executivo nem ao Judiciário. Passou a dispor de discricionariedade incomum a atores não eleitos. Transformou-se em organização incomum na democracia.
Essa inovação não foi acompanhada, entretanto, de vigilância adequada. O MP não é monitorado. O controle é exercido pelo Conselho Nacional do Ministério Público, presidido pelo procurador-geral da República e composto basicamente de procuradores, ou seja, dos próprios pares. Isso é inusitado.
Some-se a isso o processo sem paralelo no mundo para a escolha de seu líder. Procuradores elegem três nomes e esperam que o chefe do governo indique um deles ao Senado. A escolha deveria caber exclusivamente a quem detém mandato eleitoral, o presidente. É assim na indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal, da diretoria do Banco Central e de outras agências.
O MP parece ter assumido a missão de promover uma “reforma moral” para “salvar” o país de vícios do sistema político. Isso é autoritário e perigoso, além de trazer “marcas de golpismo em vários procedimentos dos procuradores”, que julgam possuir “a certeza trazida pela boa-fé subjetiva”, como disse o professor Roberto Romano em junho passado no jornal O Estado de S. Paulo.
O MP corre riscos. O prestígio advindo dos avanços da Lava-Jato tem instigado procuradores a agir como se detivessem o monopólio de uma ação transformadora que nos salvará da corrupção. Essa percepção arrogante e distorcida pode acarretar efeitos contraproducentes, entre eles a erosão de sua autoridade.
Há que criar mecanismos de controle do MP que evitem o seu repúdio pela sociedade e o esgotamento de tão nobres funções.

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Artigo disponível na edição deste semana da revista "Veja"

Um olhar pela lente


O Tapajós, em Alter do Chão.
Um mar doce.
A foto é de Conceição Bemerguy.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Advogado acusa deputado Wladimir Costa de extorsão


Vejam aí.
Neste final de semana, o advogado socioambiental Ismael Moraes gravou o vídeo acima e escreveu o artigo abaixo, sob o título “Mais uma extorsão do Wlad”, referência ao conhecido deputado federal Wladimir Costa (SD-PA), protagonista de excentricidades, digamos assim, como a de mandar tatuar o nome de Michel Temer num dos ombros e depois dizer que era só de mentirinha.
Abaixo, o artigo.

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Sou advogado militante, e só vivo da advocacia privada.
Prestando serviço profissional, representei dois empresários na compra de um terreno, cujo vendedor é um cidadão titular de uma Carta de Adjudicação da 5ª Vara Cível de Belém que lhe confere a propriedade desse bem. Após analisar minuciosamente o processo e não encontrar qualquer vício, orientei pela compra, e assumi a finalização do negócio, por meio de procuração.
O imóvel é um terreno baldio, com muito lixo. Com a transferência para o nome do cliente, a Prefeitura poderia multá-lo. A limpeza necessária iria começar no dia 7 de setembro. Mas nessa manhã o nacional Pedro Jorge da Costa Lima (o baixinho careca muito presente na filmagem), assessor do deputado Wladimir Costa, abordou o encarregado do serviço e disse que tudo deveria parar até falar com o patrão dele. Foi atendido, e, utilizando o celular do encarregado, disse, sem meias palavras, que o deputado Wladimir Costa queria aquele terreno, e que uma família iria “documentar” para ele. Finalizou afirmando: para que permitisse a limpeza e a posse, meu cliente deveria pagar ao deputado Wladimir Costa o valor de R$ 500.000,00. O cliente, assustado, respondeu que iria falar com o advogado, mas não retornou a chamada, após eu afirmar que jamais deveria ceder àquilo.
No dia seguinte, logo cedo pela manhã, fui ao terreno, encontrando um senhor de idade (justamente o que o deputado usa no teatro) e mais uns homens e uma mulher. Mostrei-lhes os documentos e então todos decidimos ir para a DIOE, delegacia especializada em conflitos possessórios. Estando ali eu, os pretensos donos acompanhados de 2 (dois) advogados e a Autoridade Policial, Delegado de Polícia Civil Neyvaldo Costa, chegou-se ao entendimento que a limpeza seria feita, e que, após vistoria de agentes daquela especializada, em havendo alguém morando num barraco que se encontra lá, ele não seria removido, até que a Autoridade Judicial acerca dele se pronunciasse. Então, após nos cumprimentarmos civilizadamente, todos nos deslocamos para o local, cada qual no seu carro, e os agentes da DIOE no automóvel oficial da delegacia.
Esperava a chegada do veículo policial, até ver o advogado da parte contrária, quando sai do meu carro e o convidei para nos dirigirmos ao barraco e logo verificarmos se lá havia alguém. Após andar uns 40 metros, fui cercado pelo deputado federal Wladimir Costa e por vários outros elementos, bem coordenados, alguns bloqueando minha passagem e outros posicionando uns 3 (três) celulares para filmarem todos os ângulos em que eu estava. Enquanto a filmagem não começava, fui ameaçado de espancamento ao mesmo tempo em que diziam: “É isso é o que acontece quando não se paga o Wlad!”. Nisso, tentei retornar imediatamente para o carro, sempre com o bloqueio daquele assessor que fez a extorsão e do próprio deputado federal Wladimir Costa, que passou a desferir uma gritaria tresloucada, acusando-me de querer “roubar” a propriedade de um velho, desafiando-me a “debater” questões jurídicas com ele, mas criando um grave constrangimento pessoal.
Fiquei sabendo depois que boa parte dos delinquentes que me cercava ou filmava, como o referido assessor Pedro Jorge da Costa Lima, participa dos crimes do deputado federal Wladimir Costa, e responde na Justiça a diversas acusações de desvio de recursos públicos destinados à educação e à saúde do povo paraense.
Apesar de não ter conta no Facebook, fiquei sabendo da grande quantidade de montagens ofensivas que o deputado federal fez em cima de fotos e filmagens sobre mim.
Quando fui de tarde contar ao diretor da DIOE o que aconteceu, ele enviou-me as fotografias tomadas pelos agentes policiais que foram ao terreno baldio, mostrando o barraco sub-humano e a senhora miserável mantida ali em condições análogas a de escravo, talvez por ordem do próprio deputado federal Wladimir Costa, que quer ser o dono do terreno ou apenas está tentando aproveitar mais uma oportunidade para extorquir.
Além das ações indenizatórias, darei especial atenção às medidas criminais para tentar extirpar da vida pública esse tumor canceroso, imundo, corrupto, debochado e que é a quintessência de todo o mal que existe na vida política brasileira.

A fotografia feita pela Polícia das condições miseráveis da idosa refletem a degradação a que grande parte do povo brasileiro chegou por obra das extorsões e dos desvios que imundícies como o deputado federal Wladimir Costa praticam a toda hora.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Não choremos por André. Porque a vida continua.

Nós, seus amigos mais chegados das redações de O LIBERAL/Amazônia, o chamávamos de Equipe.
Sim, Equipe.
Porque trabalhava muito.
Trabalhava por vários.
Trabalhava rápido.
E trabalhava bem. Muito bem.
Tantos vezes o vimos dar umas cochiladas - dessas bem rápidas.
Eram cochiladas, sim, que traíam seu cansaço, acumulado de outra jornada que começara cedo, naquele dia e em todos os dias. Mas o cochilo lhe era, ao que parece, inspirador. E o mantinha sempre alerta, aplicado e preciso no que fazia.
Tão preciso, tão cioso do que fazia, com um perfil tão perfeccionista, ele era capaz de incomodar-se com indisfarçável irritação pelo fio - jargão jornalístico para um traço - que ficou 1 centímetro aquém ou além do devido.
Não falava muito, mas um risinho seu era uma sentença - condenatória ou absolutória.
"Esse risinho é um discurso", eu lhe dizia.
E era mesmo.
André Ribeiro.
André, apenas 38 anos.
Um trabalhador, na verdadeira acepção do termo.
Um amigo.
Irmão.
Um grande cara.
"Um cara do bem", como me disse um amigo comum, há pouco.
Pois é.
A morte, vamos falar claro, é uma coisa horrível.
E sempre nos deixa a sensação de que só apanha - às vezes traiçoeiramente, outras não - os que são do bem.
Com Andrezinho, ela foi traiçoeira.
Há uma semana, ele sofreu um AVC, aos 38 anos.
Há uma semana, estava praticamente em coma.
Na tarde desta quinta-feira (07), não resistiu.
E desfalcou-nos de seus bons exemplos - de seu apuro profissional, de sua amizade, das nossas brincadeiras.
Mas não choremos por André.
Não choremos.
Antes, exaltemos sua vida.
Que continua invisível aos nossos olhos, mas não aos nossos corações.
Uma vida que continua plena.
Plenamente plena.

A dramaticidade argentina na voz de um narrador. Imperdível.

Olhem, que os hermanos são dramáticos, todos sabemos.
Mas a dramaticidade que marca a alma argentina foi levada ao limite dos limites com a narração de locutor da Rádio Mitre, de Buenos Aires, ao descrever - sentimentalmente, irresignadamente, apaixonadamente - o empate por 1 a 1 entre a seleção da Argentina e a lanterna Venezuela, em partida válida pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.
Relevem os palavrões.
Sobrelevem a emoção à flor da pele do narrador.
Cliquem aqui e confiram.


Mostre as mazelas da Praça Batista Campos. Pelo bem dela.

Confiram só.
Está no ar, no Facebook, a página #SOS Praça Batista Campos.
O próprio nome da página diz tudo.
É um ambiente pode divulgar à vontade suas fotos sobre os problemas que você, cidadão, encontra numa das praças mais bonitas de Belém, mas também uma das mais castigadas.
Divulgando-as, você contribui com a gestão municipal para melhorar esse logradouro e disponibilizá-lo para o uso pleno da população.
E não esqueça de usar sempre as hashtags #SOSPraçaBatistaCampos #SOSBelém.
A iniciativa é da Associação dos Amigos da Praça.
Vejam, abaixo, um painel de parte das mais de 300 fotos que estão lá.
E curta, comente e compartilhe à vontade.
Belém agradece.
Confira algumas postagem do blog sobre a praça:

Buracos de novo em Batista Campos. Chamem o "calafetador".
Um assalto em plena praça. Com revólver e tudo.
Praça Batista Campos virou um covil de bandidos
Fui assaltado. Mas sou grato - muito - à Segurança Pública.


Um olhar pela lente

Mosqueiro.
A foto é de cltuma.


O que ele disse


"Na verdade, o que eu tenho é medo. E o medo nos faz alerta. E medo do quê? Medo de errar muito e decepcionar minha instituição. E todas as questões que eu enfrentei, eu enfrentei muito mais por medo, medo de errar, medo de me omitir."

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A realidade da corrupção imita a piada de salão


Sabem de uma coisa?
No Brasil, a realidade da corrupção imita a piada implausível.
Ou vice-versa.
Leitor antigo do Espaço Aberto contou ao repórter, há vários anos, a história de que político do Pará tinha roubado tanto, mas tanto, que comprou um apartamento inteirinho, aqui em Belém, só pra guardar o dinheiro desviado.
E dizia-se que o apartamento estava tão entupido de dinheiro que a porta de entrada tinha mola. É que o sujeito empurrava a porta com toda a força pra dentro, arrastando caixas e caixas de dinheiro, e ela se fechava sozinha, mas a pancada era contida pela mola.
Sempre ouvi essa história e ri dela como se tivessem me contado uma piada de salão.
Porque é implausível, vocês hão de convir, que um corrupto - inteligente e esperto, como sói acontecer com todos os corruptos - fosse dar tanta bandeira assim, guardando enorme quantidade de dinheiro em espécie em apartamento em pleno centro da cidade.
Mas olhem, acabou a brincadeira, meus caros.
Depois que a PF apreendeu mais de R$ 40 milhões em espécie em imóvel usado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), em Salvador (BA), já não está mais aqui quem ria da narração do leitor do blog, tomando-a por piada de salão.
E a propósito, esse meme lá do alto, verdadeiramente impagável, corre solto pelas redes sociais desde a tarde desta terça-feira (05).
Repita-se, pois, o que já se disse: no Brasil, a realidade da corrupção imita a piada implausível.

A isso se chama corrupção

E por falar em corrupção, veja aí esse tuíte dos mais relevantes que o procurador da República Alan Mansur postou no Twitter:
É exatamente assim.


Na canção-protesto, sobrou pro Temer. Bem-feito!

video

Espiem só.
A trapalhada do governo Temer, de extinguir a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), abrindo margem para que a desinformação prolifere e engorde o número de likes colhidos por celebridades desinformadas, acabou inspirando músicos de várias partes da Amazônia.
Eles escreveram e gravaram uma música-protesto contra o decreto do governo. E sobrou pra quem?
Pro Temer, é claro.
Os compositores são Val Milhomem, Enrico di Miceli e Joãozinho Gomes.
Quem canta: Amadeu Cavalcante, Ariel, Brenda Melo, Enrico di Miceli, João Amorim, Joãozinho Gomes, Oneide Bastos, Silmara Lobato e Val Milhomem.
Quem toca: Alan Gomes, Jeffrey Redig, Fabinho Costa, Huan Moreira e Hian Moreira.
O título da música é "Temer sai, a Amazônia fica". Um dos versos diz assim:

Todos pela Amazônia
Selva amada, mata rica
Fora Temer, fora Temer
Nossa Amazônia fica

Toma-te!
Assistam no vídeo.

Fotógrafo que não distingue bola de pé de alface vai ao futebol


Você não suportar futebol é compreensível. Plenamente compreensível.
Mas para tudo tem limites, né?
Fotógrafo dos bons, que não suporta futebol e muito menos entende - já que não consegue distinguir uma bola de um pé de alface -, resolveu bater uns retratos do jogo entre Remo 1 x 2 Sampaio Corrêa-MA, sábado passado, no Mangueirão.
Pra começar, não sabia nem onde se posicionar direito nas laterais do gramado, porque não tinha a menor ideia de quem atacava para que lado do campo.
E lá pelas tantas, uma colega fotógrafa perguntou-lhe:
- Quem foi substituído agora?
- Pôxa, amiga, me desculpa. Não sei, porque estava no celular.
Mentira dele. Não estava, não. É que ele não sabia sequer distinguir quem era jogador e quem era torcedor durante o jogo.
Enfim, terminada a partida e de volta pra casa, o cara pergunta pra mulher:
- Amor, quem estava jogando mesmo? Era Remo e quem? Porque eu só vi Remo x Sam no placar.
Hehe.
Como diria Ancelmo Gois, "há testemunhas" dessa história.
Uma história inacreditável, convenhamos.
Ah, sim.
O mesmo cara tem no currículo o feito de atribuir a denominação de Botafogo normal para se referir ao Botafogo-RJ, quando queria distingui-lo de outros Botafogos, como o da Paraíba e o de Ribeirão Preto, por exemplo.
E também tem - ou tinha - o costume de se referir ao XV de Piracicaba não como Quinze de Piracicaba, mas Décimo-Quinto de Piracicaba.
Mamãããããããããeeeeeeeeeeeeeee!

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Janot se fortalece com supostas fraudes de delatores


Com todo o respeito - todo mesmo - aos que pensarem o contrário, mas não sei por que muitos consideram, em primeira leitura, que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, teria sofrido uma derrota pessoa diante da iminente rescisão do acordo de delação premiada com executivos da JBS, conforme anunciado nesta segunda-feira (04) pelo próprio chefe da PGR.
Ora, Janot, foi claro na entrevista coletiva. E o que ele disse milita a seu favor e ao instituto da delação premiada. Senão, vejamos.
Janot, em resumo, informou que mandou abrir investigação para apurar indícios de omissão de informações de práticas de crimes no acordo de delação premiada dos executivos do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS.
De acordo com o chefe da PGR, dependendo do resultado da investigação, os benefícios oferecidos no acordo de colaboração dos irmãos Joesley - aquele mesmo campeão, que gravou Michel Temer no escurinho dos porões do Palácio do Jaburu - e Wesley Batista poderão ser cancelados.
Os investigadores obtiveram na última quinta-feira passada, 31 de agosto, áudios com conteúdo que Janot classificou de "gravíssimo", nos quais um dos donos da empresa, Joesley Batista, conversa com Ricardo Saud, diretor institucional da J&F e um dos delatores da Lava Jato.
No diálogo, os dois conversam sobre uma suposta atuação do ex-procurador da República Marcello Miller para ajudar os executivos a fechar a delação. Na época, Miller ainda trabalhava no Ministério Público. Depois, saiu do MPF para trabalhar onde? Justamente no escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe, que tem entre entre as atividades a negociação de delações e tratou da delação do próprio Joesley.
Então, o seguinte.
Janot empenhou-se cascavilhar áudios que lhe foram entregues.
Cascavilhando-os, encontrou a gravação de conteúdo "gravíssimo", segundo suas próprias palavras.
Encontrando-as, abriu imediatamente investigações.
As gravações não revelam que ele, pessoalmente, foi envolvido em maquinações de Marcello Miller.
E tudo isso ainda demonstra que o próprio instituto da delação premiada está fortalecido, em vez de fragilizado, porque prevê que, em casos que tais, os delatores percam os benefícios, mas o conteúdo da delação permaneça intacto, válido e plenamente eficaz.
Onde, portanto, a derrota de Janot.

Renca produz "histeria" e muita "desinformação"


Olhem só.
Leitor assíduo do Espaço Aberto, Francisco Cezar manda e-mail para dizer que concorda inteiramente com o que aqui se escreveu sobre as celebridades que faturam likes às custas da Amazônia, mas não dispõem de um mínimo de informação.
Além disso, Cezar aponta como leitura imperdível matéria em que geólogos ouvidos pela BBC Brasil acusam os protagonistas dessa reação de "histeria", "infantilidade" e, last but not least, "desinformação".
Cliquem aqui para ler na íntegra.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Celebridades apaixonadas pela Amazônia. Você acredita nisso?

DiCaprio: se lhe pedirem para apontar rapidamente, num mapa, onde fica o Pará ou Amapá, ele terá um pirrique
Vamos combinar?
É ótimo que celebridades de todos os gêneros, de todas as cores, de todas as preferências políticas e ideológicas proclamem estar preocupadas com os destinos da Amazônia.
Mas, com todo o respeito, elas querem que a Amazônia tenha milhões e zilhões de likes nas redes sociais ou querem elas mesmas, celebridades, somar alguns milhões e zilhões de likes a mais, por conta de suas perorações bem intencionadas e de seu ambientalismo sentimental e politicamente correto em defesa da Amazônia?
Ou por outra: celebridades, quando usam Twitter, Facebook, Instagram e WhatsApp para opor-se, por exemplo, à extinção da Renca, sabem minimamente sobre o que estão falando? Dispõe de mínimas informações para formar juízos sobre agressões ambientais à Amazônia?
Não se defende aqui que uma pessoa, para levantar a bandeira de uma causa qualquer, seja um expert naquele assunto. Mas é preciso que tenha pelo menos noções básicas sobre o objeto de suas preocupações, né?
Por isso, é o seguinte - e só para citar um exemplo emblemático: se puserem diante do grande ator Leonardo DiCaprio um mapa e pedirem que ele aponte onde fica o Pará ou o Amapá, o cara vai ter um pirrique. E não vai responder. Porque talvez nem saiba onde fica o Brasil, o que dirá então do Pará e Amapá.
Mas DiCaprio está entre as celebridades que se exasperam com indignação sobre essa maluquice do governo Temer que foi extinguir a Renca.
Afinal de contas, ele quer likes pra ele ou pra Amazônia, hein?
E assim com outras tantas celebridades que estão se manifestando sobre este assunto.
Aliás, e a propósito, José Roberto Guzzo assina na edição de "Veja" desta semana, um artigo intitulado Em defesa da agricultura: vamos comer o quê?
É um trabalho dos mais lúcidos que já li sobre esse tema, pela pertinência dos argumentos que o jornalista expende.
No final, Guzzo diz o seguinte:

A consequência é que o brasileiro aprendeu a apanhar de graça. Veja-se o caso recente do presidente Michel Temer — submeteu-se à humilhação de ouvir um pito dado em público por uma primeira-ministra da Noruega, pela destruição das florestas no Brasil, e não foi capaz de citar os fatos mencionados acima para defender o país que preside. Não citou porque não sabia, como não sabem a primeira-ministra e a imensa maioria dos próprios brasileiros. Ninguém, aí, está interessado em informação. Em matéria de Amazônia, “sustentabilidade” e o mundo verde em geral, prefere-se acreditar em Gisele Bündchen ou alguma artista de novela que não saberia dizer a diferença entre o Rio Xingu e a Serra da Mantiqueira. É automático. “Estrangeiro bateu no Brasil, nesse negócio de ecologia? Só pode ter razão. Desculpe, buana.”

É mais ou menos isso.
Mais ou menos!

Muitos hospitais não curam. Eles matam.

Podem acreditar que é verdade: hospitais de Belém e Região Metropolitana - muitos - não curam. Eles matam. Ou empurram pobres pacientes para a beira da morte.
Amigo - dos melhores - deste repórter encontra-se em estado gravíssimo.
Na madrugada de sexta-feira para sábado, chegou por volta da 2h a um hospital em São Brás.
Já apresentava claríssimos sinais de que enfrentava problemas neurológicos, a partir da fala, que já estava travada.
Sabem o que aconteceu?
Ele só foi entubado na UTI às 13h, quando o médico chegou.
Sim, meus caros: foram cerca de 12h à espera de um atendimento minimamente adequado.
Resultado: constatou-se que o paciente sofreu um fortíssimo AVC.
Se o atendimento fosse feito adequadamente 12 horas antes, o AVC poderia até nem ser evitado, mas certamente teria suas consequências minimizadas em relação ao quadro que se verifica agora.
Por isso, podem acreditar: hospitais, muitas vezes, matam. Ou empurram o paciente para a beira da morte.

Remo: torcida linda, futebol horrível

Esse tuíte da jornalista Adelaide Oliveira, depois do jogo do último sábado, em que o Remo naufragou diante do Sampaio Corrêa-MA por 2 a 1, em pleno Mangueirão, diante de 33 mil torcedores, resume com perfeição extrema o sentimento dos remistas.