quarta-feira, 18 de outubro de 2017

“Eu te salvo hoje, tu me salvas amanhã”. É o Senado.


Por que a surprise com a decisão do Senado que reintegrou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) no mandato, do qual o afastara a Primeira Turma do Supremo?
Alguém, em sã consciência, apostaria que fosse possível um outro resultado?
Nós estamos, ou melhor, eles estão em tempos de acochambramentos, gente.
Eles estão em tempo de escambo de interesses, de arranjos de pura conveniência.
Tipo assim: eu te salvo hoje, mas tu me salvas amanhã.
Reparem.
O Congresso em Foco fez um levantamento e constatou que, entre os 44 senadores que votaram favoravelmente ao retorno de Aécio Neves (PSDB-MG) ao Senado, 28 são alvos de inquérito ou ação penal em curso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os apoiadores de Aécio na mira do Supremo, 11 são do PMDB, partido que foi providencial na devolução do senador mineiro à atividade parlamentar.
Ao todo, no entanto, pelo menos 48 os senadores com procedimentos abertos no STF, dos quais 34 estão sob investigação na Operação Lava Jato.
“Trata-se de um recorde, de acordo com o acompanhamento que este site faz desde março de 2004. Nunca foi tão grande o número de senadores formalmente colocados sob suspeita de terem praticado crimes. No último levantamento realizado, em abril deste ano, eram 42 os senadores investigados, o que já era um recorde na ocasião”, diz o Congresso em Foco.
Então, vocês queriam o quê?
Que o Senado mantivesse Aécio provisoriamente suspenso do mandato e se recolhendo em casa, com hora marcada, todas as noites?

Putz!

Olhem só que fofura esse meme do Wlad, esse ladino


Olhem só que bonhetchenhoooo!
É um meme, vocês sabem.
Corre solto aí pelas redes sociais, que adoram memes.
Mostra Temer afagando essa criança inocente, ladina, peralta chamada Wladimir Costa, o Wlad, deputado federal do SD que defende o Pará e orgulha os paraenses (hehe).
No meme, Temer aparece fazendo um afago no estilo olha esse meu garottooooooo!
É só uma brincadeirinha,né?
E Wlad tem que aguentar esse tipo de brincadeirinha fofa, porque ele próprio fez uma brincadeirinha com o País inteirinho, ao mandar “tatuar” o nome de Temer no ombro direito e confessar, depois, que tudo era o quê? Era só brincadeirinha. Era só uma mentirinha.
Aliás, continua valendo a pergunta do blog: qual a brincadeirinha que Wlad está preparando para votar a segunda denúncia contra Temer?

A ruína moral de um predador sexual. Isso não daria um filme?


A vida imita a arte, meus caros.
É claro que imita.
Olhem esse predador criminoso – ou criminoso predador, como queiram.
Trata-se de Harvey Weinstein, o superprodutor de Hollywood acusado, vocês sabem, de assediar sexualmente várias mulheres, várias delas atrizes.
Suas armas: perversão sexual, ousadia e influência, não necessariamente nessa ordem. As vítimas de seus crimes deixavam seu escritório ou quarto de hotel invariavelmente em silêncio, porque ficavam apavoradas de se tornarem proscritas no mundo do cinema, por interferência de Weinstein.
Até que apareceram duas repórteres – bendita repórteres - Jodi Kantor e Megan Twohey, ambas do “The New York Times”.
Durante quatro meses, elas saíram à caça do maior número possível de depoimentos e provas das atrocidades cometidas por Weinstein, para evitar que, depois da publicação da matéria, ele conseguisse usar mais uma vez seu poder para abafar as acusações.
Publicada a reportagem, o mundo do predador começou a desabar rapidamente: ele perdeu o posto na empresa que fundou, sua mulher (Georgina Chapman, estilista da Marchesa) anunciou o divórcio e ele foi suspenso da academia de cinema britânica e expulso da americana.
O sindicato dos produtores (PGA) também anunciou o início do processo de expulsão de Weinstein, que deverá ser ouvido antes da conclusão do caso, no dia 6 de novembro. E divulgou a criação de uma força-tarefa antiassédio sexual, incumbida de “pesquisar e propor soluções efetivas e substanciais para o assédio sexual na indústria do entretenimento”.
Isso não é um roteiro perfeito para um filme, gente?
Não é um roteiro perfeito para um filmaço, como tantos que Weinstein produziu?
Aliás, só de saca, a Justiça americana poderia impor-lhe, como uma das penas, a obrigatoriedade de bancar uma superprodução inteirinha sobre sua degradação como homem e como ser humano.
Não seria perfeito?

"Desafasta"!

Com todo o respeito, mas dona Joelma deve estar descobrindo, a cada dia, que o maior negócio da vida dela foi mandar essa rapaz passear, né?
Ou pastar, dirão os mais rancorosos.
Impressionante!


Um olhar pela lente

O Theatro da Paz.
Beleza em flor sob raios de sol.
A foto é de Dedé Mesquita.

O que ele disse


“Eu não serei candidato. Existem outras maneiras de ajudar o país. O caminho que eu escolhi foi a magistratura.”
Sérgio Moro, juiz federal da Lava Jato, em entrevista ao repórter e comentarista político Gerson Camarotti, da GloboNews.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Uma tragédia na Somália. Mas por que ninguém dá bola pra isso?


Vejam isto.
A notícia era destaque no site do Jornal Nacional até o início da madrugada desta terça-feira (17).
Um horror, não é?
Sim. Verdadeiramente um horror.
Mais de 300 mortos, no pior ataque terrorista da Somália,  país da África Oriental em guerra civil há mais de 20 anos.
Um caminhão carregado de explosivos expeliu uma bola de fogo que varreu quarteirões inteiros de Mogadíscio, a capital do país, atingindo hotéis, embaixadas, prédios do governo e destruindo centenas de veículos.
Uma segunda explosão, em um mercado, deixou centenas de feridos, muitos deles com queimaduras gravíssimas.
Pergunta-se, pois.
Por que mais de 300 mortos não comovem, por exemplo, a Europa, sempre tão visada pelo terrorismo e tão alarmando diante de tantas atrocidades que recentemente têm sido cometidas contra inocentes?
Por que nas ruas de grandes metrópoles europeias e de países de outros continentes não se veem passeatas e grandes manifestações em solidariedade às vítimas inocentes da Somália?
Por que clubes de futebol do mundo inteiro não fazem um minuto de silêncio, a exemplo do que costumam fazer depois de atentados como os que têm ocorrido em países europeus, mas com número de mortos muito inferior ao produzido pelo ataque terrorista no país africano?
Por que grandes jornais do mundo inteiro não estampam esse horror em suas primeiras páginas?
Por que as justas homenagens, a justa indignação por 30 ou 50 vidas ceifadas em ataques terroristas em outros países não se repetem quando mais de 300 pessoas morrem em condições idênticas em pobres países africanos ou asiáticos?
Uma vida é uma vida - na América do Sul, na América do Norte, na Europa, na África, onde for.
Uma vida é uma vida - de brancos, de negros, de pardos, de amarelos, qualquer que seja a cor.
Mas, ao que parece, o nível das comoções e da consternação pela perda de uma vida ou de várias vidas é calibrado por fatores outros - econômicos, geopolíticos, culturais, sei lá - que não propriamente a compaixão e a repulsa naturais de um humano pela tragédia que abate seus iguais.
A repercussão das tragédias causadas pela hediondez do terrorismo é ditada também por conceitos e preconceitos claramente perceptíveis. Mas que muita gente insiste em negar esse fato.
Que horror!

O Senado está com vergonha de si mesmo


Vocês se lembram de um dos versos daquele música Querelas do Brasil, de Aldir Blanc, que a voz de Elis imortalizou?
Diz um dos versos: O Brazil não conhece o Brasil.
Mas esse verso pode atualizado para o Brasil não conhece o Brasil.
No Brasil, o Senado faz um escarcéu danado para ter sua independência reconhecida pelo Supremo. Quando o Supremo reconhece a independência, o Senado fica com vergonha de exercê-la.
O Senado, depois do escarcéu que fez, teve reconhecido por decisão plenária do Supremo o direito de ter a palavra final no caso de decisões cautelares do STF que impliquem a suspensão do mandato.
Agora, está com vergonha de exercê-la plenamente para deliberar se mantém ou não decisão da Primeira Turma do Supremo que afastou do mandato o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e determinou seu recolhimento noturno.
Primeiro, tentou fazer uma sessão secreta, que a Justiça Federal em Brasília já proibiu.
Agora, não há mais certeza se a sessão marcada para esta terça-feira (17) será realizada.
E o pior: levantamento do G1, concluído na noite desta segunda-feira (16), indica que 42% dos senadores se dizem indecisos ou não querem se posicionar antecipadamente em relação ao afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG), determinado no último dia 26 de setembro pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Alguém duvida que o Brasil não conhece o Brasil?

Juíza manda Wlad retirar ofensas contra advogado


No blog Ver-o-Fato

A juíza Emília Parente de Medeiros, do 5º Juizado Especial, Tribunal de Justiça do Pará, concedeu tutela antecipada ao advogado socioambiental em ação contra o deputado federal Wladimir Costa, o "Wlad" (SD), para que o parlamentar retire imediatamente da página dele no Facebook, num prazo de 72 horas, um vídeo com ofensas contra o advogado Ismael Moraes ou insira quaisquer postagens que a ele façam referências, sob pena de pagamento de multa diária de R$ 1 mil.
Segundo a decisão da magistrada, ela própria, para se certificar das alegações feitas pelo advogado, decidiu acessar a página de "Wlad" no Facebook, constatando a "existência de uma publicação em 8 de setembro passado em que o deputado chama o advogado de "invasor de propriedades", "patife", e que o autor da ação seria "contumaz na invasão e apropriação de terrenos alheios".
O caso se refere a um fato ocorrido no dia 8 de setembro em que Moraes acusa o deputado de agressão quando, no exercício de sua atividade profissional, foi impedido de atender ao cumprimento de uma carta de adjudicação de cliente que havia adquirido um terreno no bairro do Barreiro.
O deputado, que não é parte na negociação, intitulou-se defensor de um ocupante do terreno, passando a dizer que ninguém iria tomar posse do imóvel e proferindo ameaças. O caso foi parar na polícia e hoje "Wlad" tem contra si também uma representação do advogado à Procuradoria Geral da República para que esta promova ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado, que é detentor de foro privilegiado.

Leia mais aqui.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Para os defensores do golpe militar, eis a corrupção de farda

E agora, Josés?
A nova onda - ilusória, enganosa, equivocada - que corre por aí, nessas redes sociais onde todos falam tudo e todos acabam falando de nada, é a de que o tsunami de corrupção que varre o país, com o Congresso no topo, só seria contido pelo salvacionismo militar.
Em outras palavras, é mais quem se rende a correntes virtuais que pregam, escancaradamente, deploravelmente, ilusoriamente e outros tantos mentes, que a volta dos militares ao poder seria uma espécie de panaceia para todos os males brasileiros.
E qual o argumento básico que essas crianças ingênuas - mas nem tanto - utilizam para defender um golpe militar?
Valem-se do argumento de que as instituições militares colocariam um freio à corrupção porque, ora bolas, não cultivam a corrupção entre seus hábitos, suas práticas e seus princípios.
É mesmo?
Pois a reportagem de capa da revista Época começa assim.

Embora persista o mito de que os militares são mais honestos do que os civis no trato com a coisa pública, não há evidência empírica disso. Tanto militares quanto civis desviam recursos públicos, fraudam licitações, pedem e recebem propina. Não há estudos que indiquem qualquer distinção entre a escala de corrupção nos mundos civil e militar. Pelas teorias mais recentes na literatura sobre corrupção, duas coisas, em especial, tendem a aumentar as chances de tunga aos cofres públicos: oportunidades para roubar e a percepção de que não haverá punição. Ambas existem, no Brasil, entre militares e civis. Estes não são especialmente desonestos. Aqueles não são especialmente probos.

A revista apurou que nos últimos cinco anos foram instaurados 255 processos pelo crime de peculato (desvio de dinheiro público em proveito próprio) e 60 por corrupção ativa ou passiva no Exército, na Marinha e na Aeronáutica.
"O material foi remetido ao Tribunal de Contas da União (TCU); investigadores da Corte estão destrinchando irregularidades encontradas nas três Forças, com prejuízos milionários aos cofres públicos. Os casos restringem-se a danos ao Erário superiores a R$ 100 mil. O valor estimado de prejuízo aos cofres públicos nesses principais casos é de R$ 30 milhões, mas, a depender do avançar das investigações, pode se revelar maior", acrescente Época.
E agora, o que dirão os defensores de golpes sobre a suposta limpidez ética nas imaculadas instituições militares?
O que dirão?

Celpa atropela o Código de Posturas na Pedreira


Espiem só.
A Celpa, acredita-se, deve saber tudo de energia, mas nada sabe - e sabe nada - sobre o Código de Posturas que vige em Belém.
Sim, ninguém respeita o Código de Posturas. Mas não custa nada tentar. E, no caso de uma concessionária de serviço público essencial, aí mesmo é que se espera um respeito absoluto, para que a cidade não seja mais bagunçada do que já está.
As fotos mandadas por leitora do Espaço Aberto mostram medidores de consumo de energia que a Celpa instalou na Travessa do Chaco, entre a Avenida Pedro Miranda e A rua Antônio Everdosa, no bairro da Pedreira.
Mas esses três pedaços de pau, que sustentam os aparelhos, tomam metade da calçada.
E mais: os medidores estão a uma altura do solo que qualquer pessoa - os baixinhos, inclusive - podem dar uma cabeçada.
Pode isso, Arnaldo?

"Barulhaço" perto do Museu Goeldi. Pode isso, Ibama?

Vejam e ouçam.
Frequentadores que estiveram no Museu Goeldi, na manhã deste domingo (15), ficaram com os tímpanos "muquiados" por uma aparelhagem que fazia propaganda das Óticas Diniz.
E se os humanos ficaram incomodados, vocês imagem a fauna do Goeldi.
Configurou-se um crime ambiental, uma vez que na área há restrições para a emissão de decibéis. E o pior: além dos berros que emanavam da aparelhagem, ainda tinha o buzinaço às proximidades.
O Ibama, ao que tudo indica, tem a obrigação legal de reprimir essas transgressões mediante a aplicação de multas.
Por que não se mexe e faz o que deve fazer?
Ouçam a narração do advogado Ismael Moraes, que fez a filmagem para captar o som ambiente dentro do Museu Goeldi.

A abissal desigualdade de renda


SERGIO BARRA

Qualquer cidadão tem o direito democrático de expor suas opiniões, inclusive o general Antonio Hamilton Mourão. Inconcebível é o uso de um cargo público para defender abertamente uma intervenção militar. Não é do dia para noite que se tira o País da bancarrota e a indústria minguada. Os sacrifícios do governo em prol das elites destroem as riquezas nacionais. É do conhecimento de todos que os golpes militares no Brasil não se deram com a reação no poder. Temos na conta de todos os brasileiros o golpe bem sucedido, desfechado em 1964. Rasgaram a Constituição e desmontaram o Estado. Essa infeliz ditadura durou exatamente 21 anos e deixou passagens amargas. Esse chamamento feito sem verniz de retoques desbota ante as evidências. Com certeza, depois dessa fala precipitada, o general Eduardo Villas Bôas (na imagem) prova quem manda no Exército. Mas intolerável mesmo é a distribuição de renda e os programas sociais.
A imensa desigualdade de renda continua, sem dúvida, a ser o traço definidor no País. Nos idos de 2014, o Brasil parecia disposto a se reconciliar com os estratos mais vulneráveis da população. A ONU celebrava, em seu relatório de segurança alimentar, a exclusão do País do mapa da fome. Assim, na virada do século XXI, mais de 15 milhões de brasileiros haviam superado o drama de uma alimentação deficitária. A despeito do imaginável avanço social, a redução das disparidades de renda e patrimônio, foi muito tímida, quase imperceptível. A realidade é que a grande concentração de capitais no topo da pirâmide social permaneceu inalterada. Apenas 5% da população, os mais ricos, recebem mensalmente o mesmo que os demais 95%. A desigualdade patrimonial é igualmente escandalosa.
Além disso, e por ser um problema de natureza complexa, a desigualdade não tem uma única causa, tampouco uma solução mágica, observa o sociólogo Marcelo Medeiros, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e professor da Universidade de Brasília. Em grande medida, o nível educacional da atual força de trabalho foi determinado pelos investimentos em educação nas décadas de 1970, 1980 e 1990. E a distância salarial entre profissionais com ou sem ensino superior pode chegar a mais de 200%, segundo estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há um conjunto muito grande de fatores com influência sobre o fenômeno. Não existe dúvida, porém, de que uma parte muito grande da desigualdade no Brasil é causada não pela diferença entre pobres e o resto, mas pela diferença entre ricos e o resto.
É interessante que se entenda o que faz os ricos serem ricos. De um lado, eles têm elevada escolaridade, propriedades e acesso ao capital, o que lhes confere melhores oportunidades. Há, porém, outros fatores inaceitáveis do ponto de vista ético e moral. Os ricos, especialmente os muito ricos, beneficiam-se de um conjunto de privilégios, digamos assim, gigantescos nas relações com o Estado. Então, um dos pilares da abissal desigualdade no Brasil é o regressivo sistema de tributação, “amigos dos super-ricos”. E reestruturar o sistema tributário não é tarefa simples.
Na verdade, é nesse labirinto encrencado que a sociedade brasileira colhe o desastre que plantou, por ter açodadamente embarcado numa aventura antidemocrática iniciada um dia depois das eleições presidenciais de 2014. Pesquisas recentes revelam que a democracia no Brasil nunca esteve tão desvalorizada como agora. Estudo do Fórum Econômico Mundial com 137 países revela que o Brasil é aquele onde a sociedade menos confia nos seus políticos. A questão, agora, é como sair desse emperrado entroncamento.

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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Um jogo, um título, um rádio. Não dá pra esquecer. Nunca.


Esquecer um título?
Esquecer um jogo épico?
Esquecer uma noite de glórias?
Esquecer um rádio - um radiozão, vá lá - igual a esse?
Nunca. Jamais.
Nunca, jamais, em tempo algum haverei de esquecer um título, um jogo épico, uma noite de glórias e um radiozão como esse,  de meu avô Vidal Bemerguy.
Há exatos 40 anos, num 13 de outubro de 1977, em Santarém, numa noite em que precisei baixar ao máximo o volume de um radiozão como esse para não acordar os que dormiam, há exatos 40 anos, pois, acompanhei o jogo épico entre Corinthians x Ponte Preta.
Um jogo épico em que o Timão, ganhando por a 1 a 0, gol de Basílio, saiu de uma fila de 23 anos sem ganhar um título e conquistou o Campeonato Paulista.
Não lembro bem qual a emissora que ouvia.
Mas tenho quase certeza que era a Rádio Bandeirantes.
E o narrador era Fiori Gigliotti, o inesquecível Fiori, o do abrem-se as cortinas do espetáculo, torcida brasileira.
O gol de Basílio me deixou alucinado.
Tive vontade de berrar pro mundo inteiro ouvir.
E se berrasse, o mundo inteiro, tenho certeza, ouviria.
Mas precisei conter-me.
Precisei sufocar o grito pra não acordar quem dormia.
Mas é como se tivesse gritado.
Ainda há pouco, fui rever as emoções desse gol no vídeo que está abaixo, com narração de Fiori. Quase não consigo terminar de ver e ouvir, tão vívidas foram as lembranças que brotaram daquela noite de 13 de outubro de 1977.
Ouçam o grito da torcida.
Nessa torcida, eu também estava. Mesmo com o grito sufocado.
Como esquecer essas coisas, inclusive o rádio, que era a nossa TV, naqueles tempos em que ainda não tínhamos televisão?
Como esquecer?
Um título histórico.
Um jogo épico.
Uma noite de glórias.
E um rádio do avô contando tudo isso para um torcedor inebriado.
Não dá pra esquecer.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Brincadeira de mau gosto da Câmara, enfim, é vetada


Enfim, uma pitada de bom senso.
Um projeto inadmissível, despropositado e ridículo que a Câmara Municipal de Belém aprovou foi vetado integralmente pela Prefeitura de Belém.
Trata-se daquele projeto que reconhecia a sonorização e estilização automotiva como patrimônio cultural imaterial de Belém. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Município da última sexta-feira, 6. A proposta foi apresentada pelo próprio presidente da Câmara, Mauro Freitas (PSDC), no dia 4 de setembro deste ano.
Para vetar o projeto, o prefeito Zenaldo Coutinho amparou-se em pareceres técnicos da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).
Na fundamental do veto, o prefeito ressalta que que um dos deveres da gestão municipal é combater a poluição sonora e proteger o sossego e bem estar públicos, combatendo os sons excessivos, uma vez que, conforme o artigo 225 da Constituição Federal, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, “impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações”.
Pronto.
É basicamente isso.
Numa cidade em que trogloditas já desfilam por aí com sons trombeteando em decibéis estratosféricos dentro de seus automóveis, numa afronta e num desrespeito inadmissíveis, só pode ter sido uma brincadeira da Câmara aprovar um projeto como esse, felizmente vetado.

Agende-se para este sábado

O primeiro evento da Programação da FliPA - Feira Literária do Pará tem a presença das mulheres na Literatura Paraense. Bate papo sobre o cenário atual no Pará. Andy Collins é um pseudônimo usado pela autora brasileira. Sua primeira obra publicada foi INSANO, primeiro livro da série Originals, que começou a ser postado na Plataforma Wattpad e depois passou a ser publicado pela Editora PL. Desde então, a autora já publicou de forma independente várias obras. Entre elas está FENOMENAL - primeiro livro da série Willers Family – e o conto dark ELA ESTÁ SOZINHA. Atualmente está postando no Wattpad o romance QUANDO O INVERNO ACABAR como uma forma de despedida da plataforma. E em breve irá lançar o segundo livro da série Originails: INSENSÍVEL. Carol Pabiq Ananindeusa Afro-Ameríndia iniciou sua carreira artística nos palcos e nas ruas com teatro e dança. Fez parte da Cia Atores Contemporâneos de 2005 a 2011, foi Porta-Bandeira do Auto do Círio entre 2007 e 2011. Tem poemas orais e escritos desde a adolescência, tem duas publicações em coletâneas com seu coletivo literário de escritoras negras Louva Deusas (2013 e 2015) um deles é a coletânea erótica “Além dos Quartos”. Tem uma página no facebbok com as publicações de seus poemas e e mini poemas. É membro da Rede de Mulheres Negras/PA desde 2015, é DJ do Slam Dandaras do Norte/PA que nasceu este ano. Graduada em Letras, pós graduada em Tradução e Interpretação, e (concluinte) em Políticas Públicas para Educação em Relações Étnicorraicias. Professora, tradutora, feminista, poeta, letrista e DJ. Giuliana Murakami Paixão é graduanda de bacharelado em Direito (FABEL/PA), Diretora de Pesquisa da Liga Acadêmica Jurídica do Pará - LAJUPA, Estagiária da 7ª Promotoria Criminal do MP/PA, Colunista do Ponto Crítico e uma amante das palavras desde os nove anos de idade. A autora vai lançar o primeiro livro, que tem por título “Guardiões do Império – O Selo do Sétimo”, durante a FliPA 2017. O evento será mediado pela Marina Rodrigues do Blog com V Neste sábado, 14, ás 10h, na Livraria da FOX. #vempraFlipa #flipa2017 #flipa #feiraliterária #belemdopara #mulheres #escritoras #paraense #literaturaparaense #Belem #Pará #pages #e
Uma publicação compartilhada por Fox Livraria (@foxbelem) em

O que ele disse


"Decisão do Supremo, ao contrário de outros, eu respeito, mas divirjo. Divirjo frontalmente porque essa decisão, lamentavelmente, institui no Brasil dois tipos de cidadãos: aqueles cidadãos que estão submetidos a lei e os parlamentares, que, quando é aplicada a eles a lei, podem se refugiar no conforto das casas legislativas para contar com o voto dos seus pares e se livrarem das medidas judiciais sejam quais forem. A medida do Supremo respeito, mas ela, lamentavelmente, contribui com a impunidade no Brasil."
Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da Rede no Senado, sobre decisão do Supremo que reconheceu o direito de o Congresso dar a palavra final sobre decisões da própria Corte que impliquem o afastamento provisório de parlamentares do exercício do mandato.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Vida longa pra Cultura. No mínimo, uns 320 anos a mais!


Gente, a Cultura, a Rádio Cultura do Pará, está fazendo 32 anos.
Mas, olhem, não são 32 anos quaisquer.
São 32 anos de qualidade, de excelência, de bom gosto, de persistência - exitosa, vale dizer - em promover a cultura paraense.
Hoje de manhã, por exemplo, escutando o Conexão Cultura - um dos meus programas preferidos, ouvi o Elói Iglesias conversando por telefone. Ele lembrou que sua música de maior sucesso, Pecados de Adão, tocou pela primeira vez na Rádio Cultura. E estourou.
Isso me fez confirmar que nenhum artista paraense, nenhum mesmo, acolheu, pode dizer que não recebeu uma ótima acolhida da Cultura.
Nenhum passou impune à Cultura.
E artistas de todas as áreas, entenderam?
Poetas, inclusive.
Que rádio, gente, no Pará e na Região Norte, leva ao ar poetas de todas as idades, declamando eles mesmos trechos de suas poesias, que rádio faz isso que não a Cultura?
Habituei-me a ouvir a rádio, sobretudo o Conexão Cultura, como já disse, além dos programas Feira do Som, pilotado pelo mestre Edgar Augusto, o Clube do Samba e o Caleidoscópio.
E tem mais: com muito orgulho, sou um pinguinho - apenas um só, invisível, impalpável, imperceptível, mas mesmo assim um pingo - neste oceano de histórias da Cultura, porque lá trabalhei por quatro ou seis meses, no início dos anos 1980, sob o comando do grande Francisco Cézar e ao lado de colegas como Rosaly Brito e Donizete César, entre outros.
Como não gostar da Cultura?
Como não considerar-se íntimo dela?
Vida longa pra Cultura.
No mínimo, mais 320 anos pra Cultura. Sempre no ar.
Parabéns a toda à sua equipe - técnicos, operadores, jornalistas, locutores, todo mundo.
Tim-tim!

Drops Se Rasgum fazem aquecimento para o Festival



O Festival Se Rasgum está chegando e, mais uma vez, uma sequência de shows fará o aquecimento para a programação. Continua o formato de levar a diferentes espaços da cidade uma prévia das atrações paraenses do line-up. A série Drops Se Rasgum começa neste sábado e passa pelo Café do Ziggy, Banco da Amazônia, Vila Container e Shopping Boulevard.
A programação reúne Marisa Brito, que lança esta semana o primeiro EP solo nas plataformas digitais, Juliana Sinimbú, com novo disco, “Sobre amor e outras viagens”, e Os Reis do Eletro, grupo composto por Waldo Squash, David Sampler, Joe Benassi e Marcos Maderito. Os três nomes que completam os Drops vêm das Seletivas Se Rasgum: Inesita, Andro Baudelaire e Kikito.
Toda a programação dos Drops Se Rasgum tem entrada franca. Além de mostrar um pouquinho do que vem por aí no Festival, a série contribui para a formação de público para artistas paraenses, levando apresentações musicais a locais variados, inclusive espaços que não são tradicionalmente dedicados a shows.
Inesita abre o circuito neste sábado (14), no Café do Ziggy, que, no sábado seguinte (21), também recebe Andro Baudelaire. No domingo (22), Os Reis do Eletro tocam na frente do Banco da Amazônia, na Av. Presidente Vargas, e fechando a agenda de outubro, Kikito se apresenta na Vila Container no dia 28. Os últimos shows da série de Drops vão ser no Shopping Boulevard, com Marisa Brito no dia 04 de novembro e Juliana Sinimbú no dia 11.
O 12º Festival Se Rasgum vai ser realizado de 14 a 18 de novembro e este ano conta com o patrocínio máster da Oi Futuro, patrocínio do Banco da Amazônia e co-patrocínio da Faculdade Estácio. Os ingressos já estão à venda no www.sympla.com.br/serasgum.


Serviço:
Drops Se Rasgum
14/10 (sábado), 18h - Inesita, no Café do Ziggy (Tv. Benjamin Constant,  1329 - Nazaré)
21/10 (sábado), 18h - Andro Baudelaire, no Café do Ziggy ((Tv. Benjamin Constant,  1329 - Nazaré)
22/10 (domingo), 11h - Os Reis do Eletro, no Banco da Amazônia (Av. Pres. Vargas, 800 - Campina)
28/10 (sábado), 17h - Kikito, no Vila Container (Av. Magalhães Barata, 62, Reduto)
04/11 (sábado), 18h - Marisa Brito, no Shopping Boulevard (Av. Visconde de Souza Franco,  776 - Reduto)
11/11 (sábado), 18h - Juliana Sinimbú, no Shopping Boulevard (Av. Visconde de Souza Franco,  776 - Reduto)

Entrada franca
Informações: (91) 3038-3950
www.festival.serasgum.com.br 

Fonte: Assessoria de Imprensa

A Rádio Cultura muito além de terras paraenses

Do jornalista e radialista Francisco Cézar, pelo Zap, a propósito da postagem Vida longa pra Cultura. No mínimo, uns 320 anos a mais.:

PB, sempre uma alegria ler sobre a Cultura, feita com muito empenho e dedicação por um belo grupo de jornalistas que juntamos, inclusive você, ainda que tão fugazmente.
Tenho orgulho de tê-la dirigido, recriando-a, introduzindo a produção nos programas, instituindo um jornalismo atuante e diversificado contando até mesmo com correspondentes no Rio (José Maria Trindade) e em Londres (Clivia Caracciolo)!
Olhando agora, retrospectivamente, é, realmente, impressionante - sem falsa modéstia - o que conseguimos. Isto sem falar na reforma e modernização das instalações, incluindo o parque de transmissão em Marituba, restabelecendo a potência nominal do transmissor Harris de 10 kws (que, quando assumimos, operava com apenas 2 kws), e, já com o ganho do novo parque de irradiação chegava aos 40 kws de potencia real, fazendo com que o som da Rádio Cultura fosse muito além do território paraense, para se projetar à terras tão distantes como a Rússia, por exemplo. O número de cartas recebidas pulou de 200 para 2.500 mensalmente.
Enfim, valeu muito todo o trabalho e te agradeço o carinho e a lembrança dele em nosso Espaço Aberto.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A impunidade - e imoralidade - nos tribunais de contas


Deu no Antagonista:

O Antagonista apurou que ministros do TCU adotam atos secretos para esconder o quanto recebem em diárias e, assim, descumprir o determinado pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
A LDO proíbe a compra de passagens em classe executiva ou primeira classe e limita as diárias nacionais a 700 reais. No entanto, os valores dos pagamentos de diárias nacionais ou internacionais dos ministros não são mais publicados em lugar nenhum. Antes constavam no boletim interno do tribunal, como os demais atos relativos aos servidores e procuradores.
O resultado é uma farra sem precedentes, mesmo para o histórico do TCU.
Como existem ministros-substitutos, os titulares só querem saber de viajar, de preferência para o exterior.
Com a farra correndo solta, tem até auditor procurando evento em Las Vegas e na Flórida.
Ninguém controla as contas do Tribunal de Contas da União.

Você leu, né?
Isso é uma imoralidade.
Um acinte.
Um ato de estupro nas leis.
E que reprova as contas do Tribunal de Contas da União.
Os tribunais de contas reprovam contas de todo mundo.
E quem passa no crivo as contas desses tribunais?

Hoje, é dia de o Remo enfrentar o Remo


O Remo, já disse este blog uma vez - ou várias, não sei -, parece que é o maior adversário do próprio Remo.
Hoje, o Remo enfrenta o Remo.
A partir das 19h, com a expectativa de termos até puliça na porta da sede do clube, na avenida Nazaré, para controlar os mais exaltados, o Conselho Deliberativo (Condel), instância máxima de decisões, composto por 100 conselheiros eleitos no pleito de janeiro deste ano, vai apreciar e julgar o relatório contábil da prestação de contas do presidente Manoel Ribeiro, referente ao primeiro quadrimestre da sua gestão, elaborado pelo Cofis (Conselho Fiscal).
Mas um outro assunto também estará inevitavelmente em pauta: o afastamento do presidente do Conselho Diretor, Manoel Ribeiro, 82 anos, há mais de 60 participando ativamente da vida do Leão.
Imputam alguns conselheiros a Ribeiro a prática de irregularidades. Mas não é melhor deixar o Conselho Fiscal se manifestar?
E se não for constatada irregularidade alguma?
Prejulgamentos, nesta hora, são perigosos. Como o são, aliás, todos os prejulgamentos - sem qualquer exceção.
Esperar a manifestação do Cofis, portanto, é a melhor solução.
Neste momento, vale reforçar.

O show de uma criança durante o Círio

Espiem esse garoto.
Impressionante.
Ele estava no núcleo do Terço dos Homens, na procissão do Círio deste domingo (08).
Veias do pescoço tufadas, expressão do esforço para impostar a voz, ele cantou a música "A Padroeira" sem sair do tom. E à capela (não gosto dessa expressão sem crase), gente. À capela.
Deu um show.
E comoveu.
As imagens são do Espaço Aberto.


Os "popopôs" no Círio Fluvial

A questão é a seguinte.
O que é mais comove, na procissão do Círio Fluvial, não é a quantidade de grandes embarcações.
Os pequenos, os pequeníssimas  barcos, enfeitados singelamente, às vezes com alguns pouquíssimos balões e com uma imagem também bem pequenina de Nossa Senhora de Nazaré, esses sim, esses pequenos barcos é que comovem.
São os popopôs - motores de popa tão íntimos, tão frequentes na paisagem amazônica - é que traduzem a simplicidade e a humildade que a devoção mariana inspira.
As fotos abaixo, do Círio Fluvial do último sábado, são do Espaço Aberto.













O tempo para hoje

O que ele disse


"Sempre vi o Doria como um sujeito muito ambicioso, vaidoso, um cidadão sem escrúpulo. Pro Doria não importa se é amigo, não é amigo. Importa o interesse dele."
Alberto Goldman, ex-governador de São Paulo e vice-presidente nacional do PSDB, sobre o prefeito paulistano, João Doria, em aberta pre-campanha para ser candidato tucano a presidente da República.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Nazaré Rainha

A berlinda em que se abriga a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré passa pela avenida Nazaré, neste domingo, 8 de outubro, em que Belém viveu mais um Círio.

Um dos maiores ícones do Círio

Não tenham dúvidas. É a corda.
Ou melhor: A Corda.
Imagens do Espaço Aberto.

Tudo por amor

Olhem. Promessa como essa o repórter nunca, jamais, em tempo algum tinha visto. A moça disse que fez a promessa, é claro, porque conseguiu casar.
A foto é de leitora do blog.


Os promesseiros

Cenas sempre pungentes.
As imagens são do Espaço Aberto.