terça-feira, 22 de julho de 2014

O que ele disse


"Dilma não está bem, Haddad não está bem e o PT não está bem no Estado. A culpa não é do Padilha..."
Duda Mendonça (na foto), marqueteiro de Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo paulista, sobre a candidatura de Alexandre Padilha, até aqui estacionada em 4%, segundo pesquisa do Datafolha.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Viva Ubaldo Ribeiro. "Viva o povo brasileiro".

João Ubaldo Ribeiro - 1941-214 (na foto de Letícia Moreira/Folhapress).
Uma parte do Brasil se vai com ele.
O Brasil inteiro fica sem um dos seus eméritos, precisos, criativos e bem-humorados tradutores.
Um tradutor que fez uma leitura do Brasil com os olhos e com a alma acesos, agudos e preocupados menos de compreender o Brasil, mas para se divertir com ele.
Viva Ubaldo Ribeiro!
Viva o povo brasileiro, que poderá se lembrar de um dos seus maiores escritores com saudade.
Saudade eterna.

Ventos da grana orientam a biruta eleitoral


Tucanos, por aqui, exultaram com a divulgação, ontem à noite, de pesquisa do Instituto Datafolha que aponta, pela primeira vez, um empate técnico entre a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves (PSDB) na disputa pelo Planalto.
Mas há um dado, ainda não explorado em suas reais dimensões, que está deixando muita gente com radares, antenas e sismógrafos ligados, para não dizer ligadíssimos.
Tem a ver com grana.
Muita e muitíssima grana.
Há informações de que a drenagem de recursos para bancar a campanha da candidata petista tem sido aquém do previsto.
Doações eleitorais, como vocês sabem, são um dos indicadores mais seguros sobre as expectativas e perspectivas de vitória.
O dinheiro é, muitas vezes, a biruta de uma campanha. Para onde ele escorrer, é pra lá que são maiores as perspectivas de vitória.
Isso é que tem animado os aliados do tucano Aécio Neves a acreditar que pesquisas como a do Datafolha podem representar aquilo a que chamam de ponto de inflexão nas perspectivas do potencial de voto do candidato.
Em português de Portugal - e do Brasil: a nova pesquisa revela que Aécio pode virar o jogo.
É exatamente isso.
Com régua e compasso.

Arquibancadas vazias serão um dos legados da Copa?


Vejam aí.
Elucidativo, esclarecedor o infográfico que acompanha chamada da edição da Folha de S.Paulo da última quarta-feira.
Faz uma comparação entre a média de público que três estádios receberam durante a Copa e o público que compareceu na terça-feira para assistir a três jogos.
É impressionante o abismo que se separa as duas situações.
E pergunta-se.
O que farão da arena da Copa construída em Manaus?
O que farão do Mané Garrincha, em Brasília?
O vazio das arquibancadas será um dos legados da Copa?

ONG Amigos do Sal lança campanha

Do jornalista Francisco Sidou, por e-mail:

A ONG Amigos do Sal lançará neste sábado, 19, uma campanha de adesões em Salinas, visando agregar moradores, comerciantes e veranistas. A ONG foi fundada com a missão principal de contribuir para a preservação ambiental de Salinas e elaborar propostas e projetos visando a melhoria dos serviços e incentivos ao turismo.
Dentre outras ações, consta a proposta de se convocar uma audiência pública pelo Ministério Público, para rediscutir o Projeto Orla do Atalaia, concebido na década de 90, mas que precisa de adaptações à nova realidade de Salinas e da Praia do Atalaia. A criação de uma Cooperativa de Catadores de Lixo é um dos projetos , além de estimular a parceria entre a Prefeitura Municipal com empresas privadas para implementação de outras melhorias , entre as quais um moderno sistema de transporte coletivo com ônibus jardineiras, que já circulam em várias cidades turísticas, beneficiando moradores e visitantes.
Embora tenha apoiado a regulamentação do tráfego de veículos automotores na Praia do Atalaia, a ONG entende que essa medida é emergencial e por si só não irá resolver o problema da degradação ambiental , tendo outras causas que poderão ser amenizadas com a urbanização da orla, padronização das barracas, delimitação de áreas de estacionamentos e coleta seletiva do lixo, através da Cooperativa de Catadores.
A ONG tem uma equipe técnica que irá elaborar seus projetos , que serão discutidos com as associações de moradores, barraqueiros, além de veranistas e agentes públicos.

Estudantes prestarão assistência gratuita na Justiça Federal

Acadêmicos do curso de Direito do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa) vão prestar assistência judiciária gratuita à população carente, nas ações em tramitação na Justiça Federal em Belém. O serviço será prestado no Núcleo de Prática Jurídica, que começará a funcionar, em data ainda não definida, no térreo do edifício-se da Seção Judiciária, situado na rua Domingos Marreiros nº 598, bairro do Umarizal, entre a avenida Generalíssimo Deodoro e a travessa 14 de Março.
O termo de ajuste para a prestação dos serviços à população carente foi assinado nesta quarta-feira (16), na Justiça Federal, pelo diretor do Foro, juiz Federal Arthur Pinheiro Chaves, e pelo vice-reitor do Cesupa, Sérgio Fiuza de Mello Mendes, presentes ainda o juiz federal da 10ª Vara (especializada em Juizado Especial Federal), Sérgio Wolney de Oliveira Batista Guedes, e pelo coordenador do Curso de Direito do Centro, Sandro Alex de Souza Simões.
Termo de ajuste semelhante também será firmado entre a Seção Judiciária do Pará e outras duas instituições de ensino superior. Os Núcleos de Prática Jurídica deverão atender os jurisdicionados sempre de segunda-feira a sexta-feira, das 09h30 às 11h30 e das 14h às 17h. A vigência será de até 24 meses, contados da data de assinatura do termo, expirando-se em 31 de julho de 2016.
De acordo com o termo de ajuste assinado, a prestação da assistência judiciária gratuita aos carentes pretende servir como aprendizado e treinamento na prática jurídica aos alunos do curso de Direito, na condição de estagiários, priorizando-se os processos em que o Cesupa atuar como defensor por nomeação dativa, ou seja, indicado pelo próprio magistrado que estiver instruindo o processo.
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Na foto do alto, o vice-reitor do Cesupa, Sérgio Fiuza de Mello Mendes, e o diretor do Foro, juiz federal Arthur Chaves, no ato de assinatura do termo
Na foto acima, Sérgio Mendes e Arthur Chaves entre o juiz federal da 10ª Vara, Sérgio Wolney de Oliveira Batista Guedes, e o professor Sandro Alex de Souza Simões, coordenador do Curso de Direito do Cesupa

O que eles disseram


"Para se defender, Lula ataca. Jamais se explica, sempre acusa. Acostumado a atirar pedras, Lula é incapaz da autocrítica. Quando deveria, de forma rigorosa, abominar a prática da corrupção, ele tenta distrair a opinião pública jogando culpa nos outros. Ora, a grandeza de um líder está em assumir a responsabilidade, por si e por sua equipe, dos possíveis erros cometidos, buscando corrigi-los e superá-los, não em levantar suspeitas sobre outrem com o claro objetivo de se esquivar de seus compromissos éticos e políticos."
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República (PSDB) em artigo no site Observador Político.



"Eu não leio Fernando Henrique"
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República (PT), sobre o artigo em que é criticado.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

José Ricardo Kinsman

Irmão José Ricardo Kinsman: ninguém mais identificável com o Colégio Dom Amando do que ele
(Foto: Reprodução/TV Tapajós)
- Tirem uma foia... Primeira progunta.
Foia era como o professor, com seu inglês dos Estados Unidos, pronunciava a palavra folha.
Progunta era mais ou menos ouvíamos nós, seus alunos, a pronúncia, num português americanizado, da palavra pergunta.
Impositivo, quase marcial, a voz num timbre entre agudo e anasalado, o professor de quase 1,90 metro de altura, distribuído no corpanzil que se deslocava lentamente pra lá e pra cá, em frente à turma, lançava um olhar faiscante, que percorria a sala inteira. Inteirinha.
Olhava e esperava.
Entre o "tirem uma foia" e a formulação da "primeira progunta", não se passavam mais do de cinco a dez segundos. Não mesmo.
Atarantados, os moleques, aí pela faixa dos 13, 14 anos, abriam as pastas para puxar de lá uma folha.
Uma e apenas uma folha de caderno.
Ia começar aquilo a que chamávamos de provinha, um teste-relâmpago, um teste-surpresa, em geral com apenas duas perguntas e valendo um ou dois pontos.
A provinha era ministrada aos alunos para avaliar se haviam fixado adequadamente as explicações expostas na aula imediatamente anterior.
A molecada só tinha cinco minutos - britanicamente cronometrados - para resolver as duas questões do teste-relâmpago.
Até que o professor ordenava:
- Passem para a frente.
Pronto.
Era a senha.
Todos sabíamos que acabou. Acabou-se a provinha. Cada um que tratasse de passar a sua para o colega da frente, que a passava adiante até chegarem, todas as provinhas, às mãos do professor, que aguardava em frente a cada fileira.
Ele as recolhia mecanicamente. E quem ousasse continuar resolvendo depois do passem para a frente, condenava-se a levar zero vezes zero, divido por zero e menos zero.
Depois disso, eram 45 minutos de aula.
Aula de Química. Com tabela periódica e tudo a que tínhamos direito.
O professor, com seu português carregado de fortíssimo sotaque americano, às vezes se aproximava de qualquer um dos 30 ou 40 moleques da turma e começava a pisar-lhe num dos pés.
Pisava-lhes bem na pontinha de um pé, com intensidade suficiente para que o dono do pé pisado começasse a acusar a dor e divertir, com seus esgares, com suas caretas, o restante da turma.
Todos ríamos, mas pra dentro. Engolíamos o riso, porque fazer barulho era proibido, até mesmo quando o professor aplicava aquele pisãozinho provocativo apenas para descontrair o ambiente.
Centenas e centenas de estudantes do Colégio Dom Amando, o meu Colégio Dom Amando, um dos mais tradicionais de Santarém, passaram dezenas de vezes, durante um ano letivo, pela experiência de "tirar uma foia", escrever a primeira progunta e resolver uma provinha em apenas e tão somente cinco minutos.
Gerações e gerações de estudantes do Colégio Dom Amando, o nosso Colégio Dom Amando, engoliram o riso até mesmo quando o professor tirava sarro de algum dos seus alunos, pisando-lhe num dos pés para testar o seu nível de resistência.
Moleques e molecas daqueles tempos - hoje pais e mães, avôs e avós - alimentavam um respeito reverencial por aquele professor de ares marciais, que impunha respeito e fazia silenciar um colégio inteirinho - literalmente inteirinho, com cerca de 1 mil alunos - apenas com sua presença, sem precisar falar nada. Nadinha.
Era ele aparecer e todos emudecíamos.
Era ele aparecer e todos perdíamos a voz.
Nas primeiras horas da madrugada da última quarta-feira, o professor emudeceu para sempre. E nos deixou mudos, silentes e descrentes por alguns momentos.
José Ricardo Kinsman, o irmão Zé Ricardo, religioso da Congregação dos Irmãos da Santa Cruz, deixou-nos subitamente, aos 80 anos de idade, vítima de um infarto fulminante.
Muitos dos que soubemos que ele se foi perdemos a voz.
E tentamos engolir o choro.
E tentamos segurar as lágrimas.
E tentamos selecionar, entre o turbilhão de lembranças, as que mais nos marcaram em nossa convivência com irmão José Ricardo.
Nos últimos dez anos, encontrei-me três vezes com ele.
A primeira, quando minha mãe faleceu, em 2006.
A segunda, em setembro do ano passado, quando meu pai, Eros Bemerguy, nos deixou.
A terceira, menos de dois meses depois, quando meu tio, Emir Bemerguy, também partiu.
Foi-me marcante vê-lo se aproximar e cumprimentar-me sem dizer nada, mas sorrindo. Apenas sorrindo.
Sorrir, parece, era a exteriorização ao mesmo tempo do consolo e da conformação de um homem que aparentava ser uma fortaleza.
"Ele tinha uma disposição tão grande e estava tão bem, mesmo aos 80 anos, que a gente tinha a impressão de ser eterno", comparou familiar meu, ao saber de sua morte.
"Na semana passada, eu me encontrei com ele caminha na orla de Santarém", lembrou outra.
Uma fortaleza só na aparência.
Uma fortaleza que a finitude implacável da vida faz desabar e esvanecer-se nas brumas da eternidade.
Uma fortaleza que, no entanto, sempre apresentava o sorriso do consolo e da conformação.
O consolo, ele nos oferecia como bálsamo para suportarmos as tormentas da vida.
A conformação, ele a expressava diante da certeza de que certas coisas, como a morte, são inevitáveis. E por serem inevitáveis, convém aproveitar o melhor que a vida poderá nos dar.
Quem conviveu com irmão José Ricardo também fora do ambiente estritamente escolar pôde percebê-lo como homem de um coração enorme e de personalidade cativante, muito embora a missão de ensinar o compelisse a fazer da disciplina e do respeito à hierarquia e à autoridade do professor requisitos de observância incontornável não apenas dentro da escola, mas na vida inteira.
Ele tinha a exata noção de que alunos não devem ser preparados para um vestibular, mas para a vida.
Tinha o preciso discernimento de que os conhecimentos não passam de condimentos de burrice, se não ajudarem a lapidar personalidades e caracteres que confirmem as melhores qualidades do ser humano.
Era a personificação do professor altivo, mas ao mesmo tempo generoso.
José Ricardo Kinsman era de uma família pequena.
Teve apenas um irmão, que lhe deu três sobrinhas.
Mas ele fez de seus alunos a extensão de sua família.
Fez do Colégio Dom Amando a extensão de sua primeira casa, na Filadélfia, e da segunda, em Long Beach, no Estado da Califórnia (EUA).
Foi a Santarém que ele chegou em 1962.
Foi Santarém que ele escolheu, verdadeiramente, para ser a sua casa.
Foi em Santarém que ele estabeleceu os elos entre sua vocação religiosa e a missão de educar.
Foi em Santarém que ele encontrou a terra para semear os seus sonhos e traçar os caminhos para atingi-los.
Nas últimas três ou quatro décadas, ninguém será mais identificável com o Colégio Dom Amando do que o irmão José Ricardo Kinsman.
Nas últimas três ou quatro décadas, ninguém será mais identificável com José Ricardo Kinsman do que o Colégio Dom Amando.
Mais do que lágrimas, ele merece sorrisos.
Mais do que pranto, ele merece o carinho e o abraço imorredouro de nós, seus alunos, que aprendemos com ele os conhecimentos para a vida.
Mais do que choros, ele merece que nos conformemos com a inevitabilidade de certas coisas, como os exemplos atemporais que os mestres legam às gerações que ajudaram a formar.
Mais do que desalentos e desencantos que sua ausência eterna poderá nos causar, ele merece que cultivemos os bons sonhos que ele semeou e não conseguiu colher.
Porque a vida finda, mas as saudades e as boas lembranças, nunca.
Porque a vida de irmão José Ricardo Kinsman findou-se, mas as boas lembranças da convivência com ele jamais findarão.
Jamais fenecerão.

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Em homenagem à memória do irmão José Ricardo Kinsman, o Espaço Aberto manterá apenas esta postagem durante todo o dia de hoje.
Para saber mais, leia aqui:

Morre ex-diretor do Colégio Dom Amando
Morre o ícone do Colégio Dom Amando, irmão José Ricardo
Infarto mata irmão José Ricardo Kinsman
Irmão José Ricardo morre aos 80 anos
Morre, aos 80 anos, ex-diretor do Colégio Dom Amando em Santarém
Alunos e ex-alunso do CDA lamentam e morte de irmão José Ricardo
Veja a repercussão da morte de irmão José Ricardo em Santarém

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Charge - Frank


Charge para a Notícia.

Ação contra Paulo Rocha preocupa os petistas

Paulo Rocha: candidatura pode ser discutida até no Supremo Tribunal Federal
Advogados do PT no Pará estavam à espera de pedido como o formulado pelo Ministério Público, que ajuizou ações de impugnação contra 42 pedidos de registro de candidatura às eleições de outubro no Estado (leia postagem abaixo).
Entre os petistas que não integram o estafe jurídico do partido, a preocupação é grande. E não deixa de ser justificada.
Em janeiro, inclusive, o Espaço Aberto já havia adiantado, na postagem Paulo Rocha tem flanco exposto na disputa eleitoral, a fortíssima possibilidade de que a candidatura do petista viesse a ser discutida nos tribunais.
A percepção geral é de que, independentemente das teses que forem levantadas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o fato que deu ensejo ao ajuizamento da ação contra o pedido de registro de Paulo Rocha é polêmico o suficiente para terminar no Tribunal Superior Eleitoral ou, quem sabe, até mesmo no Supremo Tribunal Federal.
Isso porque é fato que Paulo Rocha renunciou, sim, ao mandato para escapar a um processo por quebra de decoro no caso do mensalão, situação claramente prevista como causa para a inelegibilidade, de acordo com a Lei da Ficha Limpa.
Mas também é fato que, nas eleições subsequentes, Paulo Rocha se candidatou a deputado federal, cumpriu o mandato inteirinho e depois ainda teve sua candidatura a senador acolhida pela Justiça Eleitoral. Só não assumiu o mandato porque ficou em terceiro lugar na disputa.
A polêmica é a seguinte: como poderá ser considerado agora inelegível um candidato que já participou de duas eleições?
Sabe-se lá.
O TRE vai decidir.
Depois, com absoluta certeza, o TSE.

E por fim, quem sabe, o STF.

PRE impugna 42 pedidos de registro de candidatura no Pará

Duciomar Costa: acossado pela Lei da Ficha Limpa
A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) ajuizou 42 ações de impugnação contra o registro de candidaturas no Pará, dos cerca de 980 pedidos de registro feitos ao Tribunal Regional Eleitoral. Das candidaturas contestadas, uma é para governador, duas para o Senado da República e duas para a Câmara Federal. As outras 37 candidaturas consideradas irregulares pelo Ministério Público Eleitoral são para o cargo de deputado estadual.
O Procurador Regional Eleitoral, Alan Mansur Silva, e a equipe da PRE encontraram problemas nas prestações de contas de 29 dos nomes apresentados pelos partidos políticos e coligações, entre candidatos que não apresentaram prestação de contas à Justiça Eleitoral e que tiveram contas reprovadas pelos Tribunais de Contas. No caso das prestações de contas eleitorais, se considera ausência de condição de elegibilidade, conforme prevista na Lei Complementar nº 64/90.
Outros casos de impugnação foram alterados ou mesmo passaram a ser previstos apenas depois da Lei Complementar nº 135/2010, a chamada Lei da Ficha Limpa, que adicionou novas causas de inelegibilidade e passou a vigorar em 2012. É o que ocorreu nas candidaturas contestadas por condenações por órgão colegiado ou transitadas em julgado – caso do candidato ao Senado Duciomar Gomes da Costa, e por renúncia ao mandato eletivo – casos do candidato ao Senado Paulo Rocha e do candidato à Assembleia Legislativa Luiz Sefer.
Os candidatos que tiveram suas candidaturas impugnadas têm 7 dias para contestar a impugnação. Após as ações de impugnação, cabe à Justiça Eleitoral julgar os pedidos e decidir pelo deferimento ou não dos registros. Ainda que não tenham sido questionados, outros políticos ainda poderão ter as candidaturas indeferidas, nos casos em que o candidato for inelegível ou não atender a qualquer das condições de elegibilidade. Os procuradores regionais eleitorais voltam a se manifestar quando os processos forem encaminhados pelos TREs com todos os dados sobre a candidatura.

Sisconta Eleitoral
Para chegar aos nomes dos impugnados, as Procuradorias eleitorais utilizaram o Sisconta Eleitoral, criado para receber e processar nacionalmente as informações de inelegibilidade fornecidas pela Justiça eleitoral, federal e estadual, tribunais de contas e casas legislativas. O sistema foi desenvolvido pela Secretaria de Pesquisa e Análise da Procuradoria Geral da República, a pedido do Grupo Executivo Nacional da Função Eleitoral (Genafe).

Fonte: Ministério Público Eleitoral

"Candidato" rejeita a própria candidatura

Parece brincadeira, mas não é.
Anônimo, em comentário deixado na caixinha da postagem intitulada Candidatos farejam a seca de recursos, conta uma historinha curiosa.
É a historinha de candidato que nunca quis ser candidato, não autorizou sua candidatura mas, mesmo assim, foi registrado como candidato.
Trata-se de Sua Excelência o deputado Macarrão, esse aí da foto, extraída do site da Assembleia Legislativa.
Parece brincadeira, mas não é.
Leiam abaixo o comentário:

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Prezado, durma-se com essa.
O deputado Paulo Jasper (Macarrão), do PMDB, teve seu pedido de registro de candidatura negado pelo TRE-PA. Até aí, nada de anormal em detrimento à legislação eleitoral!
Não obstante, o que é mais estranho está a seguir, conforme colagem do site do TRE: "À fl. 8, o suposto candidato apresentou petição, em que informa não pretender concorrer às eleições, tampouco autorizou a sua candidatura. Alega ainda que não se trata de pedido de desistência, pois, por motivo de foro íntimo, jamais desejou concorrer ao pleito. Requereu, portanto a retirada do seu nome do registro requerido e que seja nulo de pleno direito o pedido."
Como pode um deputado não ser nem consultado se quer ser candidato?
Será que forças ocultas têm obrigado pessoas a se lançarem candidatos?

Justiça Federal condena União, Anac, Infraero pelo caos aéreo de 2006

A 6.ª Vara Federal Cível de São Paulo condenou a União Federal, a Anac (Agência Nacional da Aviação Civil, a Infraero (Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária) e outras seis empresas de transporte aéreo ao pagamento de multa solidária de R$10 milhões pelos danos e transtornos causados aos clientes durante o chamado "caos aéreo" de 2006 - que resultou em uma série de cancelamentos e atrasos de voos na época. O valor será destinado a um fundo de reparação dos danos causados à sociedade e coletivamente sofridos.
As seis empresas envolvidas na ação são TAM, BRA, Ocean Air, Pantanal, Total e VGR.
De acordo com os autores da ação, desde 27 de outubro de 2006, os consumidores sofreram com a crise que se instalou no sistema de tráfego aéreo brasileiro tendo seu ápice em 2 de novembro de 2006, quando o tempo de espera para embarque chegou a mais de 15 horas, sem que houvesse sido oferecido aos passageiros informações ou auxílios razoáveis como água e alimentação, sendo necessário que muitos dormissem no chão ou em cadeiras.
A ação foi proposta com os pedidos de reconhecimento da prevalência do CDC (Código de Defesa do Consumidor) sobre o CBA (Código Brasileiro de Aeronáutica) e para que fossem determinadas a obrigatoriedade de fornecimento de informações com antecedência sobre atrasos e horário previsto de saída dos voos, tanto por telefone como nos painéis eletrônicos dos aeroportos, a prestação de assistência material a partir da primeira hora de atraso e reparação integral e efetiva dos danos materiais e morais sofridos pelos consumidores, além de multa no caso de descumprimento no valor de R$1 mil por passageiro.
Para o juiz federal João Batista Gonçalves, titular da 6.ª Vara Federal Cível de São Paulo, foi provada a má organização, administração, gerenciamento, fiscalização e prestação de serviço de transporte aéreo. Diante desse quadro, ele entendeu que “se faz necessária a condenação, objetiva e solidária, de todos os réus, inclusive públicos ante os termos do art. 22 do CDC, pelos danos causados à coletividade, servindo a sua fixação também para desencorajar os réus a reincidir nos fatos indignos à pessoa humana, de todo evitáveis”.
Com relação ao pedido de assistência material e informativa o magistrado entendeu que, como a questão já foi objeto de regulamentação administrativa, não cabe nova determinação.
Por fim, João Batista determinou que toda a fiscalização, cartilha, norma ou ato emitido e praticado por qualquer um dos réus deve atender prevalentemente ao Código do Consumidor, no que se revelar mais favorável aos usuários.
Da decisão cabe recurso.
Tanto as empresas como a Infraero, a Anac e a União foram contatadas pela reportagem de ùltima Instância, mas não houve retorno.
Processo: 0028224-49.2006.403.6100 – acesse a íntegra da decisão.

Sobre deturpações e reparações adequadas

Por Sylvia Debossan Moretzsohn, no Observatório da Imprensa
As ações que o advogado João Tancredo move contra a editora Abril, contestando matérias difamatórias publicadas pela Veja em março deste ano, provocaram a previsível reação da revista, que em 3/7 protestou contra o que seria um cerceamento à liberdade de imprensa e mesmo um ato de censura prévia [veja aqui]. O fato repercutiu na semana passada, pelo menos em dois grandes jornais – Folha de S.Paulo e O Globo – e no Portal Imprensa.
O protesto diz respeito ao teor das liminares, que, além de determinarem a publicação de um texto como direito de resposta, mandam retirar imediatamente dos endereços eletrônicos as matérias ofensivas.
Entretanto, será esta a melhor maneira de se reparar um erro – ou, no caso, uma ofensa? Ou o melhor, e mais eficaz, seria obrigar a revista a incluir, em destaque, nos textos contestados, uma informação sobre a falsidade das acusações?
Os fatos
Fundador da ONG Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH), João Tancredo atuou em vários casos de repercussão nacional, entre eles o do pedreiro Amarildo de Souza, morador da favela da Rocinha que, em junho de 2013, foi levado para a sede da UPP local e ali torturado até a morte. Seu corpo continua desaparecido.
O contexto em que o fato ocorreu, em meio às manifestações populares do ano passado, e a existência de episódios semelhantes levaram um grupo de pessoas a propor o projeto “Somos Todos Amarildo”, que seria coordenado pelo DDH.
Como João Tancredo detalhana inicial da ação, a produtora Paula Lavigne sugeriu a realização de um jantar em sua casa, com convites pagos, seguido de leilão de obras doadas por diversos artistas, além da realização de atividades culturais, para levantar recursos com o objetivo de comprar uma casa para a família de Amarildo – tendo em vista a sua situação de extrema pobreza – e “desenvolver um projeto em torno do desaparecimento forçado de pessoas”. O objetivo seria traçar os perfis desses desaparecidos e incentivar a criação de uma rede de contatos entre as famílias envolvidas e instituições que possam ajudá-las.
O jantar ocorreu no dia 8/10/2013 e foi amplamente noticiado pela imprensa.
A deturpação dos fatos
Em março deste ano, porém, a Veja resolveu insinuar que havia outro “desaparecido” no caso e publicou matéria intitulada “Cadê o (dinheiro do) Amarildo?”. Quem lesse o texto e não soubesse da história ficaria convencido de que a família do pedreiro foi ludibriada: que os recursos obtidos no jantar e nas demais atividades deveriam ser destinados exclusivamente a ela, e que o advogado, espertamente, embolsou a maior parte, para um “projeto ainda indefinido”.
A matéria foi reproduzida no blog de Reinaldo Azevedo, que, bem ao seu estilo, se esmerou em acusações e insinuações desmoralizantes para o advogado. A deputada Cidinha Campos (PDT-RJ) tomou esse texto como base para anunciar uma representação ao Ministério Público “contra essa ONG e toda essa nojeira”.
Esta foi a matéria de maior impacto negativo. A outra foi uma nota na coluna Radar, em abril deste ano, sobre a família de Cláudia Silva Ferreira, morta e arrastada na caçamba de um camburão da PM, que estaria sendo “alvo de espertalhões”. O “espertalhão” seria João Tancredo, que teria interesse em atuar no caso, mas teria sido desautorizado pela família. O advogado afirma que não houve qualquer conflito com a família de Cláudia, que simplesmente preferiu ser representada pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro.
A melhor reparação
Quem conhece os métodos da Veja e de muitos de seus colaboradores não se surpreenderia com esse episódio, mais um entre tantos de flagrante distorção dos fatos. Poucos, entretanto, acabam resultando em ação judicial. João Tancredo resolveu reclamar e obteve as duas liminares. A revista, como é de seu direito, vai recorrer.
O problema não é discutir se há cerceamento à liberdade de imprensa, porque evidentemente nenhuma liberdade é absoluta: todo abuso exige reparação. O problema é a forma escolhida para isto.
Em recentes artigos mencionei a relevância da pesquisa de mestrado da jornalista e professora Lívia Vieira sobre a ausência de uma política de correção de erros no jornalismo online. Ela mostra que simplesmente apagar o erro não é o melhor caminho, pois, uma vez publicado, qualquer texto produz efeitos, e sempre haverá alguma forma de recuperá-lo na web. O mais correto, por isso, seria explicitar as correções no próprio texto original.
Lívia não trata de casos como o da Veja, que não se poderia chamar de erro, pelo menos no sentido comum que se atribui à palavra: algo involuntário, fruto de incompetência, incúria ou imperícia. Mas, talvez ainda mais justificadamente, o raciocínio poderia ser aplicado nessa situação. Pois, como é evidente, as matérias difamatórias produziram efeitos deletérios sobre a imagem do advogado e, mesmo que retiradas do ar, podem ser recuperadas por quem se interessar e entender algo sobre mecanismos de busca.
Preservar a memória
Portanto, pedir a pura e simples eliminação de seus links, como se o fato nunca tivesse ocorrido, não é apenas pouco eficaz para os fins pretendidos. Mais que isso – e além de ser uma medida inaplicável a um meio impresso –, é um equívoco. Pelo contrário, exigir que o texto continue lá, com o devido alerta de que se trata de uma fraude, é uma forma de gravar permanentemente os responsáveis por ela e preservar a memória do jornalismo também nos casos eticamente condenáveis.
Mas essas questões, a rigor, apenas demonstram o quanto seria importante a elaboração de uma nova Lei de Imprensa, capaz de regular a atividade jornalística e definir sanções adequadas em casos como este.
***
Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora deRepórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)

O que ele disse


"Aconselhada pela vaia, Dilma montou uma cerimônia clandestina para entregar a bola da Copa de 2018 ao 'presidente Plute'. Nem assim conseguiu disfarçar o medo."
Augusto Nunes, jornalista, sobre a presença da presidente da República na final da Copa, no último domingo.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Candidatos farejam a seca de recursos


É hora de pedir.
É hora de passar o chapéu.
Os comitês de arrecadação da maioria das alianças ainda não estão propriamente em ação.
No momento, estruturam-se. Habilitam-se a definir os doadores em potencial para, aí sim, dar início à arrecadação que vai sustentar as campanhas.
Mas há gente que fareja longe.
E pelo que já foi possível farejar, será difícil, muito difícil arrancar grandes somas do empresariado paraense, cada vez mais desconfiado sobre expedientes, digamos assim, nada republicanos que costumam fazer parte da rotina das campanhas.
Resultado: preparem-se os aspirantes a Excelências a enfrentar uma aguda seca em termos de recursos.
Mas nada que uma boa conversa, uma boa promessa não resolva, né?
É sempre assim.
Quase sempre é.

Jornalistas e arrogantes. Esses somos nós, jornalistas.

Felipão "orienta" o Brasil no dia dos 7 a 1: e os coleguinhas, por que só agora criticam?
Essa Copa do Mundo tem demonstrado - à farta, à exaustão - que nós, jornalistas, não temos mesmo limites em nossas arrogâncias.
Antes da Copa, coleguinhas, muitíssimos, entraram no oba-oba do ufanismo.
Nessa condição, eximiram-se de exercer o senso crítico para entrar na onda dos que se diziam muito otimistas com a seleção brasileira, aquela mesma que havia conquistado a Copa das Confederações, no ano passado.
Pois é.
Veio a Copa.
E a seleção se mostrou frustrante.
Decepcionante.
Uma tragédia.
Um vexame.
E os coleguinhas?
Fazem de conta que não é com eles.
Não se dignam dizer simplesmente assim: "Desculpem aí. Mas eu errei. Eu também estava certo de que o Brasil seria hexa. E só fui me dar conta de que isso não seria possível quando a Alemanha goleou o Brasil por 7 a 1".
Assim deveria ser.
Mas não é.
Porque nós, jornalistas, realmente não temos limites em nossas arrogâncias.

Pão, circo e futebol

Do leitor que se identifica como Paulo Bastos, sobre a postagem O que tem a ver a seleção com a Copa?:

É o que dá colocar a diversão (circo) em primeiro lugar, no lugar do trabalho (pão): quando dá errado, vem a desilusão! Deixem de ser bestas! Amanhã esses jogadores, todos, que ganham milhões, estarão é rindo da cara de vocês, assim como já estão rindo de bolso cheio os que se aproveitaram da burrice brasileira de deixar construir tantos estádios, num país repleto de miséria e desigualdades.

Os legados da Copa



Por ANA DINIZ, jornalista, em seu blog Na rede

As teorias conspiratórias: Leonardo Sakamoto criou a melhor de todas no seu blog, tipo o livro de Dan Brown, o "Código da Vinci". Se ele desenvolvesse o tema, quem sabe, conseguiria outro best seller. Mas há pelo menos meia dúzia de outras, tentando explicar como é que o Brasil só não amarelou porque já é amarelo, mas virou mamão passado do ponto.

A discussão política: vai atravessar a campanha eleitoral e, como sempre, pouca coisa restará dela. Há ideias e ideais, mas há, sobretudo, uma enorme incapacidade de trabalho a médio prazo. Torcedor, jogador e cartola querem resultados rápidos e imediatos. Então, tudo fica pelo meio do caminho. E esporte não é exatamente uma prioridade política, a não ser para ocupar garotos de periferia...

Os elefantes brancos: temos agora um rebanho deles. No conto infantil, o grande elefante branco é derrotado por um leão vegetariano. Creio que teremos que importar indianos: só eles conseguem fazer os elefantes trabalharem e pagarem seu sustento. Bem, dentro de dois anos teremos o torneio de futebol olímpico e eles funcionarão de novo. Mas, oh, tristeza! Eles com certeza precisarão de reformas e ajustes...

A desmistificação da Fifa: de repente o Brasil descobriu que, apesar da grama dos campos de futebol ser baixinha, não é pouco o que tem de coelho escondido e saindo desse matinho para as cartolas cada vez mais altas dos dirigentes. Essa desmistificação é ótima: a Fifa caminha para não ser a última palavra em futebol. Podemos falar grosso com ela, agora.

Um gosto amargo para o futebol: e não é por causa da Alemanha. Apesar da goleada, não conseguimos ficar com raiva deles. O gosto amargo foi trazido pela farra da Fifa no Brasil, o que inclui a ladroeira nos ingressos. Descobrimos, de repente, que o esporte que é a nossa alegria é apenas um grande negócio escuso para quem dirige. Que o torcedor é tratado como otário a ser depenado. Principalmente se está do lado de baixo do Equador...

Uma porção de obras inacabadas: talvez elas terminem antes das Olimpíadas no Rio de Janeiro. Nos outros locais provavelmente vão entrar novamente no ritmo usual, isso se não caírem, como o viaduto mineiro. Do que foi feito, ficam os aeroportos e algumas obras de mobilidade. Não sei ao certo quais: desde maio que a página de obras do Portal da Copa não é atualizada.

Uma nova imagem internacional: a imagem do país Brasil melhorou um pouquinho nos quesitos realização e democracia. E a do povo brasileiro ganhou muitos pontos positivos. Talvez que afinal vá sobrar coisa boa dessa história toda, se o fluxo turístico de fato aumentar.

A confraternização com os povos americanos: possivelmente a melhor coisa que a copa nos proporcionou. Os torcedores dos nove países com seleções na copa vieram – a maioria, creio, pela primeira vez – ver de perto o monstruoso Brasil, considerado pelos sulamericanos como imperialista e pelos norteamericanos como terra do fim do mundo. E começaram a demolir o preconceito, da mesma forma como nós, brasileiros, começamos a vê-los com outros olhos.

O nosso lugar: estamos entre as quatro melhores seleções do mundo, mas, diferentemente da Colômbia ou dos Estados Unidos, numa curva descendente. Se aproveitarmos o legado, poderemos reverter a curva; se não, será o declínio.

E, finalmente, a conta: em janeiro de 2013, o site “Os amigos do presidente Lula” informava que as despesas com a Copa seriam 22,46 bilhões de reais, que seriam largamente compensados pela entrada, na economia, de 142 bilhões entre 2010 e 2014.  Bem, esse estudo foi igual ao que baseou a decisão de comprar a refinaria de Pasadena: os 142 bilhões não entraram – os mais de dois bilhões de recursos que seriam trazidos pelos turistas previstos não vieram, apesar da invasão argentina - e a despesa subiu para 27 bilhões de reais, segundo o Tribunal de Contas da União. Bem, o Coríntians terá que pagar o custo dos investimentos no Itaquerão, dizem. E eu digo: é mesmo? Pago pra ver... Só o tempo dirá se valeu a pena.

O que ele disse


"De 10, chegamos a uma nota de 9,25. Melhoramos desde a África do Sul. Perfeição não existe."
Joseph Blatter, presidente da Fifa, sobre a Copa do Mundo no Brasil.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Nas redes socais, o debate ao rés do chão


Redes sociais estão se transformando no palanque antecipado da campanha eleitoral que, mesmo já tendo começado, ainda não chegou ao rádio e à TV, os grandes palcos eletrônicos para candidatos se exibirem.
Mas o nível dos debates nas redes sociais servem de aperitivo, de termômetro, de indicador, de biruta que poderá sinalizar o que vem por aí.
E se esse termômetro for preciso, como tudo indica que é, vocês esperem, meus caros, uma das campanhas mais baixas que já tivemos aqui no Pará.
As coisas que temos visto são verdadeiramente assustadoras.
Essa história de dizer que as redes sociais apresentam-se como um fórum de debates políticos não passa de balela.
O nível dos debates, com as honrosas exceções que confirmam a regra, tem sido simplesmente assustador.
Já chegou ao rés do chão.
E tem tudo para imbicar para mais embaixo ainda.
Vocês esperem.
Vocês verão.

Tetra. Com todos os méritos.


Sim, meus caros.
O Espaço Aberto não torceu para a Argentina.
Claro que não.
Torceu para a Alemanha, a melhor seleção deste mundial.
Torceu para a Alemanha, a tetracampeã mundial. Com todos os méritos.
Mas convém reconhecer.
Os hermanos jogaram pra caramba.
Apresentaram o melhor do futebol sul-americano.
A Argentina, que nas partidas anteriores não foi tão brilhante, muito embora tenha sido eficiente, ontem foi brilhante, mas não foi eficiente.
E deu Alemanha.
A Alemanha que, de sobra, sobrou na Copa.
Foi mais time.
Foi mais equipe.
Fez o coletivo preponderar sobre as individualidades.
E foi tetracampeã com um golaço, mas um golaço, de Götze.
Mas, para sermos justos, parabéns à Argentina.
Que ficou em segundo, é certo.
Mas fez uma grande Copa.

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Pare lerem outras postagens publicadas no Espaço Aberto sobre a Copa do Mundo 2014, cliquem aqui.

Argentinos foram retirados da sala de cinema de shopping na Doca

Rolou uma certa, como diríamos, tensão dentro de uma das salas Cinépolis, do Boulevard Shopping, da Doca, durante a final da Copa entre Alemanha x Argentina.
A partida foi exibida na telona.
Lá pelas tantas, um grupo de argentinos passou a provocar.
O clima começou a esquentar.
E antes que esquentasse mais, os seguranças foram aos hermanos e, gentilmente, pediram que eles fossem cantar e zoar em outra freguesia.
Felizmente, nenhum deles resistiu.
A exibição da final continuou tranquilamente.
E, no final, a sala explodiu de contentamento, com a confirmação de que a Alemanha faturou o tetra.
E os argentinos zoadores?
Os demais frequentadores da sala foram procurá-los no canal da Doca.
Mas eles não estavam lá.
Hehe.

Neuer. Ele sim, foi o melhor. E não Messi.


É brincadeira, né?
Só pode ser brincadeira.
Atribuir a Lionel Messi o prêmio de Bola de Ouro da Copa só pode ser coisa da Fifa, que o grande José Mujica definiu perfeitamente bem.
Lionel Messi, reconheçamos, é um craque.
Um cracaço de bola.
O pessoal aqui da redação acha mesmo que continua a ser o melhor do mundo. É melhor, inclusive, do que Cristiano Ronaldo, atualmente o detentor de melhor do mundo.
Mas uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa.
Uma coisa é Messi ser o melhor do mundo - na opinião aqui do blog, repita-se.
Outra coisa é considerar que ele foi o melhor da Copa.
E não foi.
Vamos ver se concordamos no seguinte.
O colombiano James Rodríguez fez uma Copa espetacular.
Phillip Lam, da Alemanha, fez uma Copa sensacional.
O holandês Robben, descontados os seus espalhafatos, fez uma Copa magistral.
E por último, mas não menos importante, Manuel Neuer (na foto), o goleiraço da Alemanha.
Não seria demais se tivessem dado o título de melhor goleiro para outro e o de Bola da Outo da Copa a Neuer.
O cara é uma máquina, fora de brincadeira.
É igual a um robô.
Parece que foi programado mecanicamente para defender.
É mais do que uma muralha.
É uma fortaleza.
Conceder a Neuer o título de melhor goleiro da Copa foi muito pouco.
Conceder a Messi o título de melhor jogador da Copa é uma brincadeira.
Apesar de Messi ser o melhor do mundo.

Como se sentem agora, hein, hermanos?



Mas que sacada!
O Lance lava a nossa alma.
Melhor do que o Lance para lavar a nossa alma, só mesmo a vitória da Alemanha sobre os hermanos e a conquista do título de tetracampeão mundial.
Seguinte.
Na vitória dos germânicos por 7 a 1 sobre o Brasil, naquele dia mais vergonhoso, mas vexatório, mais deplorável e mais humilhante em todos os 100 anos de história da seleção brasileira, o Olé, diário esportivo mais lido da Argentina, fez troça.
Decime qué se siete... (Diga-me como se sete), provocou o jornal argentino, trocando o siente, do verbo sentir, pelo siete, o número 7, e fazendo referência à musiquinha dos argentinos para zoar os brasileiros.
Vejam a manchete do Olé lá no alto.
Pois é.
Aí, ontem, logo após encerrado o jogo que garantiu a conquista do tetracampeonato à Alemanha, o Lance exibiu em seu site a manchete que vocês veem acima.
Decime qué se siente ahora!, devolve o Lance.
Hehehe.
Lance lava a nossa alma.

Hermanos x hermanos. Em plena rua.


O pau torou.
O pau quebrou, e quebrou feio, na avenida 9 de Julho, a maior de Buenos Aires, ao término do jogo em que a Alemanha conquistou o tetra no Maracanã.
Olhem o vídeo aí, extraído do site do Olé.

A pátria indescartável


Do jornalista Nélio Palheta (que mandou também a foto), por e-mail, sob o título acima:

Segunda, quarta e sexta são dias de coletar o lixo, descartar inservíveis. Mas, não... , amanhã não vou te descartar, oh Pátria amada, Brasil!
Vou jogar no lixo, sim, todas as mágoas frustrações, perpetradas nos estádios; amanhã vou me desfazer da fantasia que a pátria de chuteiras me fez vestir. Tua vontade frustrada, Pátria Amada Gentil!
O futebol pode ter esmaecido o verde e o amarelo da bandeira de plástico - mera alegoria -, mas não destruiu o verde amarelo do meu coração. Assim como dos demais filhos teus.
O futebol empanou o brilho de algo que o país inteiro almejou como axioma de um Brasil mais feliz, cheio de conquistas permanentes em todos os quadrantes, e não apenas empapado das alegrias restritas às linhas dos gramados ou à mesa do bar _ celebrações efêmeras, por si só descartaveis.
Não, deitada em berço esplêndido e repleta de felicidade é o que mereces em brados retumbantes. Algo como o tri e o penta indeléveis.
O Brasil que eu quero não é esse descartável nas segundas-feiras, depois de um domingo ou uma Copa de frustrações, e sim aquele pelo qual não só 11 lutam, mas aquele de conquistas e lutas cotidianas  de 200 milhões de brasileiros.
Com ou sem chuteiras.

O califa do Estado Islâmico


Faz 3 anos que o conflito no Iraque foi amaldiçoado pelo governo de Barack Obama e, que, recentemente, foi reativado pela ofensiva dos rebeldes sunitas. Irã e Síria são também levados a reboque para o combate. Ao terminar oficialmente uma impopular intervenção militar, que durou oito anos e matou quase meio milhão de pessoas. Agora, os EUA estão de volta ao lodaçal que custou US$ 1,7 trilhão aos cofres americanos. Nos últimos dias, Obama se viu obrigado a aumentar seu apoio às forças de segurança iraquianas para conter o avanço de insurgentes sunitas no norte e oeste do País.
De volta ao atoleiro, o governo americano anunciou o envio de 300 forças especiais para auxiliar o Iraque. Muitos noticiaram a “proclamação de um Estado Islâmico” pela organização antes conhecida como “Estado Islâmico no Iraque e Levante – (EIIL)”, sem notar a contradição. Na verdade, o grupo se intitulou “Estado Islâmico no Iraque” desde outubro de 2006 e acrescentou o Levante à sua reivindicação em abril de 2013; seguiram conquistando cidades importantes, como Mossul, segunda maior do país, e Baiji, onde fica a maior refinaria de petróleo iraquiana, a caminho de Bagdá. Os EUA calculam em dez mil o número de militantes do grupo radical, que tem o objetivo de redesenhar as fronteiras da região e criar um Estado Islâmico entre Iraque e Síria.
Ademais, ao proclamar seu líder Abu Barkr al-Baghdadi como califa, ou seja, sucessor de Maomé e líder único do Islã, o “Estado Islâmico” se atribui também um caráter sagrado e autoridade religiosa para executar quem o rejeite. Na verdade, essa é a mensagem central da proclamação de 29 de junho (primeiro dia do Ramadã), fermentada por citações do Alcorão. Comparam-se com os conquistadores islâmicos do Império Persa e da maior parte do Império Bizantino, os jihadistas afirmam que restaurar o califado é uma obrigação religiosa e seria pecaminoso não cumpri-la, razão pela qual seu conselho elegeu para o cargo Al-Baghdadi, agora “califa Ibrahim” (seu verdadeiro nome), e exige que todos os muçulmanos jurem fidelidade e deem apoio ao suposto descendente da família do Profeta.
Contudo, políticos islâmicos moderados venceram muitas eleições depois da Primavera Árabe, aproximando-se do poder na Tunísia, no Egito, na Líbia e no Marrocos. Eles solaparam a tese de militantes de movimentos como a Al-Qaeda de que só a violência oferecia esperança de mudança. Hoje, esses mesmos políticos estão em retirada frenética, de Riad a Rabat, bloqueados por seus adversários políticos, perseguidos por generais e caindo vítimas de complôs armados por monarcas enriquecidos pelo petróleo. Todavia, são os extremistas que estão em marcha, avançando sem oposição em regiões do norte da África e do Oriente Médio. Inclusive, já tomaram o controle de territórios na fronteira entre o Iraque e a Síria, em que manifestantes festejam a fundação do califado na sua capital Raqqa, Síria, e sonham estendê-lo por três continentes.
O Taleban, a Al-Qaeda e o Estado Islâmico são, de fato, criações pós-modernas, tão fruto de seu tempo quanto o foi Hitler, a despeito de seu fascínio por arcaicos mitos “arianos”. O califado refundado por Al-Baghdadi, embora recorra a títulos e símbolos dos primeiros tempos do Islã e punições igualmente arcaicas (como amputação de mãos de ladrões e crucificação de inimigos), seria impensável na Idade Média.
Com certeza é o lado moderno, não o “medieval”, que torna o Estado Islâmico e seu califa tão perigosos. Suas vitórias políticas e militares e seu discurso impiedoso o tornam poderoso catalizador da revolta de jovens sunitas no Oriente Médio e Europa e um polo de atração para militantes. Na Síria, Bashar al Assad desafiou as previsões de que seria derrubado, só não o foi porque extremistas entre os rebeldes entraram em confronto com os moderados pelo poder e pelo espólio. O “conflito maldito” voltou. Vamos aguardar o tamanho da encrenca.

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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com

O que ela disse


"Queridos jogadores e querida Comissão Técnica, vocês - e o futebol brasileiro - são maiores do que quaisquer resultados passageiros."
Trecho de carta da presidente Dilma Rousseff à seleção brasileira, após a participação frustrante na Copa do Mundo 2014.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Arruda governador. Acreditem, porque isso é possível.


É o fim, meus caros.
É o fim.
José Roberto Arruda, mesmo condenado, pode seguir livre.
Seguindo livre, é bem possível que continue candidato ao governo do Distrito Federal.
Vocês se lembram dessas cenas aí?
Foram reveladas em 2009.
Colocaram na vitrine da corrupção o que se convencionou chamar de mensalão do DEM.
Pois é.
E Arruda, acreditem, poderá voltar ao governo do Distrito Federal.
Vamos pra Pasárgada?