sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Tambor de Couro - Nilson Chaves e Lucinnha Bastos

Twitter cria recurso que destaca mensagens mais importantes para o usuário

Do Comunique-se
A partir desta semana, os usuários do Twitter terão a oportunidade de ver a timeline de maneira nova. Isso porque a rede social criou recurso que organizar as mensagens de acordo com as mais importantes dos perfis que o internauta segue. A ideia é que a medida possa gerar mais engajamento.
Segundo o microblog, o recurso vai funcionar assim: o usuário deverá clicar em configurações e escolher “Mostrar os melhores Tweets primeiro”. Depois disso, a página vai organizar os tuítes que possam ser mais interessantes a apresentar no topo da timeline em tempo real e em ordem cronológica inversa. As outras mensagens postadas irão aparecer logo abaixo.
A ferramenta permite que em qualquer momento o internauta atualize a página para ver todos os novos tuítes em segundos e com a experiência em tempo real que já é conhecida. O Twitter informou que mesmo com o novo recurso, nenhuma mensagem será ocultada. Nas próximas semanas, a atualização será feita automaticamente, mas o usuário será avisado sobre a mudança e poderá acessar a área de configurações para desativar a novidade se assim preferir.

Charge - Samuca


Charge para o Diário de Pernambuco.

Aumento de 92% nos assaltos a ônibus é um espanto


A violência disseminada na Região Metropolitana já nem nos permite mais perceber as verdadeiras dimensões da criminalidade.
A tendência, com isso, é banalizarmos situações que, em condições normais de temperatura e pressão, não poderiam jamais ser banalizadas, porque graves, assustadoras, espantosas.
É grave, assustadora e espantosa a revelação da própria Polícia Militar, de que apenas no mês de janeiro deste ano foram registrados 88 assaltos a ônibus na Grande Belém.
Oitenta e oito assaltos?
Sim, 88.
É quase inacreditável, porque essas ocorrências representam, de acordo com a Inteligência da PM, um aumento de estratosféricos 92% em relação ao número registrado no mesmo período em 2015.
Os locais de maior ocorrência dos assaltos, acrescenta a polícia, são as avenidas Bernardo Sayão, Pedro Álvares Cabral e a rodovia Arthur Bernardes.
A PM informou que fez mais de 35 mil abordagens a ônibus e prendeu 31 envolvidos em assaltos em 2015. Para este ano, uma viatura foi destacada para circular exclusivamente nas áreas de maior incidência de assaltos.
Apenas uma viatura é suficiente?
É bastante?
Para uma modalidade de assalto - a abordagem de bandidos a ônibus - que aumenta assustadores 92%, não seria demais se fossem adotadas estratégias mais amplas para coibir essa prática criminosa que expõe a enormes riscos não apenas um ou duas pessoas, mas várias, às vezes 30 ou 40, no caso dos ônibus com lotação completa que são atacados por bandidos.

Quando é pênalti, coleguinhas já dizem que foi pênalti

Marlon, do Capivariano, aponta o loca onde foi derrubado para indicar que foi pênalti. E foi mesmo.
Alvíssaras!
Nem tudo está perdido.
Coleguinhas, sobretudo os que participam de coberturas esportivas pela televisão, ao que parece estão perdendo aos poucos os seus acendrados (ui!) pudores de posicionarem-se claramente em lances capitais das partidas.
A praxe, vocês sabem, é a seguinte: quando comentaristas, narradores e repórteres não querem muito se comprometer, digamos assim, com a torcida A, B ou C, chamam sempre de polêmicos muitos lances que, escancaradamente, escandalosamente, afrontosamente, não têm nada de polêmicos, porque eles são o que são.
Explique-se.
É o caso de pênaltis, por exemplo.
Há muitos que são escancarados, escandalosos, afrontosos.
Mas coleguinhas, dependendo das circunstâncias, preferem dizer que são polêmicos. E isso ocorre sempre quando são marcados contra times de grande torcida.
A mesma coisa ocorre com gols marcados acintosamente em impedimento - ou não.
Mas isso, repita-se, parece que está mudando.
Na noite desta quinta-feira, jogaram no Itaquerão Corinthians x Capivarino.
No primeiro tempo, uma jogada claramente faltosa em cima da linha de grande área do Corinthians.
O que seria, então? Pênalti para o Capivariano.
Pois, acreditem, a equipe do SportTV posicionou-se claramente: disse que foi pênalti para o Capivariano.
E pronto!
O narrador Jota Júnior, inclusive, foi além: o árbitro, registrou ele, não deu o pênalti contra o Timão "porque não quis".
Toma-te!
É assim que funciona.
Lances polêmicos são os que ensejam, realmente, dúvidas que nem os meios eletrônicos podem dirimir.
Fora disso, os lances são ou não são.
Ou são o que são.
E pronto!

O que fazem os fiscais da prefeitura que deixam a sujeira imperar?


De leitor do Espaço Aberto, sobre a postagem Carroceiros despejam lixo sem dó nem piedade na Três de Maio:

O que fazem os fiscais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente?
Zenaldo, começa a mandar essa turma mostrar serviço. Eles só te trazem "zika".
Tem que mandar essa turma fiscalizar a cidade. Tem dono de restaurante botando cadeira e mesas nas calçadas, sem respeitar o nosso direito de andar nelas.
Há idosos e deficientes prejudicados.
Bota moral. Não te preocupa com as eleições.
Não tenta agradar quem só traz problema para a população.

Fonte do Caranã sob ameaça em Salinas


Do jornalista Francisco Sidou, por e-mail:

Andei por Salinas e anotei: os moradores de nossa bela morena do Sal estão justamente preocupados com a sobrevivência da Fonte do Caranã, um patrimônio da cidade, de grande potencial turístico, embora pouco valorizado pelo poder público. Eles questionam a iniciativa da prefeitura do município em escolher o "Parque e Fonte do Caranã" para futura edificação da Casa da Cultura.
Na opinião de alguns, a fonte de água natural pode ser extinta, caso o empreendimento venha a ser erguido na área. Aliás, a fonte já dá sinais de exaustão, pois das quatro bicas, apenas duas estavam jorrando água - e ainda assim com baixa pressão - no feriadão.
A fonte faz parte da cultura da cidade e, ironicamente, pode vir a ser extinta caso ali se concretize essa ideia de "jerico", cimento, concreto e aço para homenagear a Cultura com uma casa...

MPF quer comitês de combate ao Aedes em municípios do Pará

O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) encaminhou recomendação às prefeituras de Aveiro, Itaituba, Jacareacanga, Novo Progresso e Trairão para que comitês de combate ao mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão dos vírus da dengue, chikungunya e zika, sejam implantados em locais estratégicos nesses municípios.
O MPF também recomendou a criação de cronograma de visitas de agentes de combate a endemias para a eliminação de focos de proliferação do Aedes, que deverá ser iniciado pelos bairros com maior número de casos de dengue, além da realização de campanhas educativas nos meios de comunicação e nas escolas municipais sobre como combater o mosquito.
A recomendação aponta que, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o Pará apresentou aumento de 51,60% nos casos de dengue em 2015. Por conta disso, “os municípios recomendados devem levar em consideração a possível expansão da epidemia de vírus transmitidos pelo Aedes aegypti neste ano”, diz o documento.
A Procuradoria da República em Itaituba estabeleceu o prazo de 15 dias úteis, a contar do recebimento do documento, para que as prefeituras informem se irão ou não acatar a recomendação. Em caso de acatamento, os gestores municipais terão o prazo de 180 dias para colocar em prática as medidas recomendadas.

Mobilização nacional
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) está coordenando uma mobilização nacional para atuação dos procuradores dos Direitos do Cidadão no enfrentamento da epidemia dos vírus transmitidos pelo Aedes. A rede é composta por procuradores regionais dos Direitos do Cidadão das 27 unidades da Federação e por outros membros do MPF.
Além de facilitar a articulação interna, mediante o intercâmbio de experiências, boas práticas e informações, a rede busca apoiar o trabalho dos membros com atuação natural na matéria, potencializando os canais externos de articulação e garantindo o fluxo de informações relevantes para fins epidemiológicos – inclusive com o acesso aos sistemas informatizados de monitoramento de epidemia e respectivos boletins epidemiológicos.
Entre as ações iniciais da rede está a articulação com o Ministério da Saúde e com a Sala Nacional de Coordenação e Controle (SNCC), responsável pelo Sistema Nacional de Salas de Coordenação e Controle do Plano de Enfrentamento à Microcefalia, instaladas nas três esferas federativas, com o objetivo de gerenciar e monitorar as ações de combate ao mosquito e estabelecer a estratégia de acompanhamento e suporte às gestantes e crianças afetadas. No plano interno, a rede realizará mapeamento das iniciativas em curso e das boas práticas já adotadas pelos procuradores da República com atuação nessa temática.
Dados divulgados no último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde apontam que, em 2015, foram registrados 1.649.008 casos prováveis de dengue no País. O órgão também aponta o crescente número de casos de microcefalia relacionados a infecção pelo vírus zika, principalmente na região Nordeste.
Em novembro de 2015, o Ministério da Saúde declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin) por alteração do padrão de ocorrência de microcefalia no Brasil. Nesta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o avanço da microcefalia ligada ao zika vírus nas Américas constitui uma Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional (PHEIC, na sigla em inglês).

Fonte: Ministério Público Federal no Pará

O que ele disse


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Chico Buarque - Paratodos

Caça aos mijões deveria ter o Rio como referência



E então, meus caros, Carnaval já é passado, né?
Felizmente é.
Principalmente para os moradores da castigada, xixizada e atazanada Cidade Velha, que sempre se lembram dos últimos Carnavais com ódio no coração.
E não é pra menos.
Vocês se lembram da postagem questionando sobre por que ainda insistem em liberar Carnaval na Cidade Velha?
Lembram-se do vídeo acima, mostrando mijões despontando por lá?
Pois é.
Depois disso, vários leitores, por e-mail ou WhatsApp, ratificaram as críticas, sobretudo por causa da imundície e de outros desregramentos a que se entregam sujismundos travestidos de foliões - ou vice-versa.
A Prefeitura de Belém deveria, nesse sentido, mirar-se no exemplo do Rio.
Desde o início do Carnaval, a prefeitura carioca multou mais de mil pessoas flagradas urinando nas ruas da cidade, entre elas 816 homens, 162 mulheres e 30 pessoas de nacionalidade estrangeira.
Todos tiveram de pagar multa de R$ 510, conforme determina a Lei de Limpeza Urbana. Para descarte de pequenos resíduos no chão, o valor da multa é R$ 185.
Essa lei, saibam, não prevê a caça aos mijões na rua apenas durante o Carnaval, não.
Ela vale para qualquer tempo.
Por que não se imitar o Rio por aqui?
É que Belém, afinal, tem 400 anos.
E durante estes 400 anos as ruas são latrinas.
Sem tirar nem pôr.

Quando o crime vence a cidadania




ISMAEL MORAES
Advogado sociambiental

Belém está sendo tomada por carroceiros, ou carreteiros, que empurram enormes carros de mão feitos de madeira sustentados por eixos de automóveis, cujas atividades consistem em cobrar para retirar entulho e todo tipo de lixo de uma casa, loja, enfim, e livrar-se do resíduo poluente. Esse livrar-se, no entanto, consiste em carregar o material para jogá-lo em plena via ou passeio público, na distância de uma quadra ou rua próxima que não incomode a visão do seu contratante - tão ou mais criminoso que o "transportador".
A frente de onde moro e trabalho tem sido local de especial predileção para "desova" de lixo dessa forma. Há uns cinco dias a Prefeitura recolheu a última montanha inacreditável que se formara em menos de 24 horas. Mas já estava tudo limpo.
Mas, amanhecendo o sábado último, deparei-me com um monturo agressivo. Ao pesquisar o próprio material, encontrei indícios que, após conversar com trabalhadores do entorno, confirmaram tratar-se de lixo da empresa Tatoo Park. Sim, isso mesmo, o parque de diversões infantil que fica na travessa Almirante Wandenkolk entre Bernal do Couto e Diogo Móia, a uma quadra de distância do local despejado.
Fui ter com os responsáveis. Ao conversar com uma senhora que seria gerente e informá-la que iria pedir a instauração de inquérito por crime ambiental assim como representar à Prefeitura para ser aplicada multa, ela saiu-se com a pérola:
- Mas nós contratamos um carroceiro, e não temos nenhuma responsabilidade pelo o que ele fez com o lixo!
Após informá-la que o que fizeram constituía crime, e que nesse caso a lei prevê atribui a responsabilidade pelo resíduo sólido ao seu produtor, e que eles deveriam contratar empresa especializada para colocar um contêiner e retirá-lo após estar cheio, ao final, pareceu aceder, ao perguntar o local exato em que formara o "lixão". Passados uns 20 minutos depois, chega então um outro funcionário, também estupefato porque isso não era responsabilidade do Tatoo Park, que transferira a obrigação de "livrar do lixo" ao carroceiro....
Para minha surpresa, o Tatto Park contratou outro carroceiro, que retirou o monturo da travessa Dom Romualdo Coelho e o despejou, de novo, a uma quadra de distância, na travessa Bernal do Couto, entre aquela e a travessa Almirante Wandenkolk. Simples assim.
Uma hora depois, passando de automóvel junto ao muro da Santa Casa de Misericórdia, fiz uma tomada fotográfica (vejam as fotos acima) do exato momento em que um carroceiro jogava lixo na via e no passeio público, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. E é o que parece estar se estabelecendo como tal em Belém, onde é o crime que prevalece, e a cidadania vai escasseando.
Isso é por demais claro quando os donos de um empreendimento, o Tatto Park, que recebe para recreação crianças de classe média alta, não dão a mínima para o que os pais acham de sua atitude de despejar lixo na via pública para economizar o rico dinheirinho das caríssimas horas que cada criança paga, sem se importar na cadeia de atraso e de estímulo ao crime que isso representa.

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Do Espaço Aberto:

O advogado Ismael Moraes informou ao blog que, após sua reclamação, a prefeitura retirou, com uma pá mecânica e uma caçamba, o monturo que já se formava havia alguns dias por ação dos ditos carreteiros ou carroceiros.
Veja as fotos abaixo.




Carroceiros despejam lixo sem dó nem piedade na Três de Maio


Olhem só.
E por falar em imundícies e falta de zelo por Belém, espiem só as fotos acima, que leitora assídua do Espaço Aberto mandou por e-mail.
As imagens foram captada no última segunda-feira, dia 8.
Coisas que tais nem sempre são indicadores da inoperância de governos - quaisquer que sejam.
Também dependem de mínimas noções de higiene das próprias pessoas.
Dependem do mínimo bom senso de acreditar que a cidade é a extensão da casa de cada um de nós.
As fotos mostram a travessa Três de Maio, às proximidades do Colégio Vilhena Alves, situado na avenida Magalhães Barata.
Ali, é comum observar-se diariamente montoeiras de lixos despejados, sem dó nem piedade, por carroceiros.
"A Prefeitura de Belém manda limpar, mas em seguida aparecem novos montes de sujeiras. O local vive muito mais tempo sujo do que limpo! É vergonhoso e incomoda quem por ali passa", diz a leitora.
E isso num bairro como São Brás, meus caros, um dos mais centrais da cidade.
Putz!

Belém nos tempos: a Basílica de Nazaré em construção


Olhem só essa preciosidade, que está no Belém Antiga.
A imagem é da Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré sendo construída, no início do Século XX.
A fonte é desconhecida.
A colaboração para o Belém Antiga é de Arthur Jardim.

O que ele disse


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Pausa

Uma tendinite na mão esquerda dificulta a digitação por aqui.
Até que melhore, ficaremos com postagens mais esparsas no Twitter e no Facebook, que exigem menor esforço de digitação.
O Espaço Aberto agradece a compreensão de seus leitores.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Jeff Beck - Somewhere Over The Rainbow

Belém nos tempos: a Tavares Bastos há 65 anos


Olhem só a foto acima.
Foi pinçada de A Província do Pará e está na página Belém Antiga.
Lê-se lá:
A Marambaia já, no início da segunda metade do século XX, ainda era área isolada e distante. O único acesso era através da estrada de ferro e muita caminhada no mato, a pé, ou no caminhão “pau de arara”, que levava a partir da Bandeira Branca, onde chegavam as linhas de ônibus.
A periferia ainda tinha cara de interior. E a principal avenida, a Tavares Bastos, nada mais era do que uma picada na mata. De equipamento público, um posto de saúde e uma escola.

Charge - Jean Galvão


Iphan diz que ainda não aprovou projeto de reforma do Ver-o-Peso


Olhem aí.
A imagem é da própria página do Iphan, com esclarecimentos sobre convênio assinado entre a Prefeitura de Belém e o Governo do Estado, no valor de R$ 34 milhões, para dar uma repaginada no Ver-o-Peso.
O convênio foi assinado no dia 12 de janeiro passado, dia em que Belém completou 400 anos.
Diz trecho de matéria disponível na Agência Pará, que você lê aqui na íntegra:

Na comemoração do aniversário de 400 anos de Belém teve parabéns, bolo de chocolate, abraço fraterno, orações e, claro, vários presentes como o convênio assinado na manhã desta festiva terça-feira, 12, entre o governo do Estado e a prefeitura municipal, para a reforma e revitalização completa do complexo do Mercado do Ver-o-Peso. “Esse é um presente da população do Pará para a capital paraense”, destacou o governador Simão Jatene.

No site da Prefeitura de Belém, a matéria (íntegra aqui) diz assim:

Após cantarem parabéns e cortarem o bolo em comemoração pelos 400 anos de Belém, na manhã desta terça-feira, 12, o prefeito Zenaldo Coutinho e o governador do Pará, Simão Jatene, assinaram um convênio no valor de R$ 34 milhões para a execução do projeto de reforma e revitalização de todo o complexo do  Ver-o-Peso.

Agora, foi a vez do Iphan se manifestar.
Clique aqui para ler a íntegra da nota.

Belém no ranking da violência. Mas em que posição?


Em que lugar estamos, ou melhor, em que lugar Belém está no ranking da violência que nos assola?
Eis a pergunta que não quer calar, todas as vezes em que se divulgam levantamentos - uns mais dignos de credibilidade, outros nem tanto.
Agora mesmo, o Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal acaba de divulgar o seu mais novo levantamento sobre a violência no mundo.
O Brasil aparece como o país com o maior número de cidades entre as mais violentas do mundo em 2015, Das 50 cidades com maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes em 2015, 21 são brasileiras. E Belém aparece na 26ª posição, atrás de cidades como Fortaleza, Natal, Salvador e mais cinco cidades.
No Mapa da Violência 2015, divulgado em novembro de ano passado, alcançando apenas a criminalidade no Brasil, Belém é o 148º município dentre os 250 mais violentos do país. E Ananindeua aparece em segundo lugar - em segundão, repita-se -, perdendo apenas para o município baiano de Simões Filho, o maior recanto do bang bang nacional.
Mas é Belém, o 148º mais violento do Brasil, e não Ananindeua, o segundo mais violento, que aparece no ranking da ONG mexicana (reparem na imagem a comparação dos números)
Sim, antes que vocês digam que os critérios da pesquisa e até mesmo o tempo de coleta dos dados são diversos, admitimos que é isso mesmo. Mas é preciso ter muito cuidado com a diversidade de critérios e que relativizemos os resultados desses levantamentos. Do contrário, seremos enganados, manipulados, iludidos pelos números.
Uma coisa é certa: estamos nós, em Belém, imersos numa selva de violência. Isso é fato. Sobretudo nos finais de semana, quando a polícia, ao que parece, some do mapa.
Simplesmente some.
Na semana passada, leitor aqui do blog foi uma a churrascaria no Mundurucus e deixou seu carro no estacionamento do Laboratório Paulo Azevedo. Quanto retornou, tinham estourado os vidros do veículos e levado tudo o que tinha dentro.
No blog O Mocorongo, de Ércio Bemerguy, um advogado relata o caso de uma senhora assaltada na mesma Mundurucu, à entrada de edifício que fica pertinho da praça Batista Campos. E apareceu a puliça, mas cometendo abuso de autoridade, de acordo com o relato.
Sem polícia, a violência.
E quando a polícia chega depois da polícia, temos o exercício da autoridade completamente desvirtuado.
Isso tudo em áreas nobres da cidade.
E nas chamadas zonas vermelhar, como será?
Sabemos todos como é - a polícia inclusive.
Mas tudo continua do mesmo jeito.
Senão pior a cada dia.

Nunes diverte o Brasil. Conte outra, coronel!


Bem bacana.
E o coronel Nunes, ao contrário de Greta Garbo, que acabou no Irajá, foi desaguar na CBF. E começa a divertir o Brasil.
Há cerca de duas semanas, escreveu o jornalista Juca Kfouri em seu blog, um dos mais lidos do País na área esportiva:

Preocupados com as bobagens ditas pelo presidente interino coronel Nunes, os homens de Marco Polo Del Nero (leia-se a dupla Caboclo$Feldman) querem que o ex-PM se limite a ler o que eles escreverem.
Vetam que ele se relacione com a Imprensa para não repetir barbaridades como “nunca vi corrupção no futebol”, ou que Dado Cavalcante, técnico do Paysandu, é o melhor do Brasil, ou, ainda, que o lateral Pikachu, que acaba de trocar o Papão pelo Vasco, é o melhor jogador em atividade no país.
O coronel não deve ser apenas uma rainha da Inglaterra.
Deve ser uma rainha da Inglaterra muda!

Hehehe.
Juca não perderia por esperar.
Porque Nunes estava, há apenas duas ou três semanas, repita-se, dando os primeiros e tímidos passos para aspergir um pouco de suas aptidões como presidente daquilo que muitos coleguinhas - os d'antanho, sobretudo - ainda identificam como a entidade mater do futebol brasileiro, a nossa augusta CBF.
Nesta terça-feira, o coronel participou de seu primeiro grande evento internacional na condição de presidente interino da CBF: a Assembleia Extraordinária em Assunção.
O evento apontou o paraguaio Alejandro Domínguez como novo presidente da Conmebol.
Nunes, todavia, deixou claro que desconhecia o candidato em quem votou.
"A gente perguntou o pedigree, né? A informação que nós temos é que ele tinha ligações com o Cerro Porteño, do Paraguai", disse o coronel ao canal SporTV.
Domínguez, na verdade, é filho de um ex-presidente histórico do Olimpia, justamente o rival do Cerro Porteño.
Terminou?
Não. Tinha mais.
Nunes mandou bala: "Durante o jantar, fiquei ao lado de Domínguez, trocamos algumas ideias. Do outro lado dele estava o príncipe (Ali bin Al-Hussein, da Jordânia) e à minha esquerda estava o Gianini".
O coronel queria referir-se a ao suíço Gianni Infantino, secretário-geral da Uefa e principal candidato à presidência da Fifa.
Ao chegar ao Paraguai, Nunes já havia causado surpresa ao desconversar sobre o veto da CBF à realização da Primeira Liga. Apesar de o comunicado enviado pela entidade na segunda-feira ter sido assinado em seu nome, Nunes disse que precisaria "se inteirar" do assunto antes de comentá-lo.
Antes mesmo de chegar ao Paraguai, no entanto, o coronel causou espanto ao desconversar sobre o veto da CBF à realização da Primeira Liga.
E aí travou-se o seguinte - e singelo - diálogo entre o coronel e jornalista:

Presidente, o senhor pode explicar a posição da CBF sobre a Copa Sul-Minas-Rio?
Estou desde ontem em São Paulo, não tem como dar uma informação precisa. 

Os clubes dizem que vão jogar de qualquer jeito.
Vou me inteirar.

Mas não foi o senhor que assinou o comunicado que está no site da CBF?
É um problema de cada um.

O senhor acha que pode ter alguma consequência drástica, um rompimento dos clubes com a CBF?
Nada que a gente conheça sem ver o processo.

Hehehe.
Conte outra, coronel.
Conte mais.

"Não vejo a hora de deixar o carro e usar transporte público"


No Blog do Marcos Teixeira, sobre a postagem Há 400 anos, o transporte fluvial é a grande sacada:

Francisco Sidou, não se pode esquecer que o trabalhador comum ainda teria que pagar, além dos R$ 10, mais duas passagens de R$ 2,70, pois tem que chegar ao terminal de Belém e sair do terminal do Ver-o-Peso. Por isso é tão importante essa ligação com o transporte modal - sequer há um bicicletário nesses locais-, para que a lancha "popular" que se avizinha seja de fato viável.
Eu não vejo a hora de deixar o carro em casa e usar o transporte público, o que hoje é inviável e, pasmem, caro, e infelizmente o BRT não vai resolver!
Hoje, em matéria de serviço público, não se precisa inventar nada, basta copiar, temos aí a ideia do bilhete único, dos terminais de integração, de uso no Rio, mas nada, infelizmente nada é colocado em prática por conta dos empresários de transporte público, que não conseguem enxergar que só fazem perder dinheiro e espaço pras vans e mototáxis, como conta dessa visão míope.

O que ele disse


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Na Estação das Docas, a Belém de ontem e de hoje


Um dos coretos da Praça da República: na foto do acervo do Goeldi e na foto de Ray Nonato
O Instituto Lauro Sodré, onde atualmente funciona o prédio do Tribunal de Justiça do Estado
Ao pôr do sol. Belém se confunde com as águas, na foto de um telespectador da TV Liberal
Belém 400 Anos.
Vale a pena conferir essa exposição inaugurada no último dia 21, no Armazém 2 da Estação das Docas, e prossegue até 6 de fevereiro.
Olhem nas fotos acima, que o Espaço Aberto fez na noite deste domingo.
A exposição réune 10 imagens feitas pelo fotógrafo Ray Nonato, ele próprio curador do evento.
As imagens mostram a Belém de ontem e de hoje através de trabalhos que comparam, com fotos atuais e fotos antigas, cinco pontos marcantes da cidade. É o caso de um dos coretos da Praça da República.
Também compõem a mostra dez fotos pertencentes ao acerco do Museu Paraense Emílio Goeldi, que cedeu imagens para o evento, além de 10 fotografias selecionadas das mais de 200 enviadas pelo público por meio do portal G1 Pará e pelo aplicativo “Vc na TV Liberal”.
Uma das fotos, que o blog selecionou acima, é simplesmente espetacular. Num final de tarde, o telespectador Jônatas de Souza Vilar clicou a orla de Belém, vista a partir de uma das ilhas em frente à cidade. A impressão é de que as águas invadem as ruas, porque se confundem com elas.
Passem lá.
A exposição, realizada pela TV Liberal, fica aberta ao público sempre das 10h às 22h.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Bandidos se divertem em baile da AP. E depois roubam R$ 15 mil.


Dois bandidos fizeram uma limpa no caixa de um dos restaurantes da Assembleia Paraense, na madrugada de sexta-feira para sábado, logo depois do Baile do Hawaí. Passaram na boca do caixa e levaram R$ 15 mil, depois de se divertirem durante quase toda a festa.
A dupla chegou ao clube num  carro.
Até aí, nada demais.
O demais é que os assaltantes entraram no estacionamento como se fossem sócios do clube e pararam o veículo nas imediações do portão da avenida Almirante Barroso.
Feito isso, entraram, ficaram perambulando pela festa e lá pelas 3h da madrugada de sábado, quando o Baile do Hawaí já teria acabado, dirigiram-se a um dos restaurantes e, de revólver em punho, renderam a funcionária que trabalhava como caixa e roubaram todo o dinheiro.
A parada, como sói acontecer em quase todos os assaltos, foi muito rápida e não chegou a ser percebida por ninguém, além, é claro, dos pouquíssimo circunstantes que se encontravam na área interna do restaurante.
A pergunta que não quer calar: como é que dois bandidos entram num carro no estacionamento interno da Assembleia Paraense, privilégio reservado apenas e tão somente aos sócios do clube?
Já está descartada, nesta primeira fase de investigações, a possibilidade de os dois assaltantes terem entrado na condição de convidados, uma vez que os portadores de convite não podem ingressar com seus veículos no estacionamento do clube.
A direção da Assembleia, de acordo com o que apurou o Espaço Aberto, trabalha com duas hipóteses.
A primeira: conivência de porteiros e seguranças com os bandidos.
A segunda: utilização de uma carteira falsificada de associados.
No sábado ainda, em sua página no Facebook, a Assembleia Paraense divulgou nota informando que a polícia investigando a ocorrência.
Mas as explicações não convenceram alguns associados (clique na imagem para ler melhor).
Um deles, identificado como Michael Leite, aproveita para cobrar: "Sim, qual a nota sobre meus pertences que foram roubados dos armários da academia? Até hoje estou esperando ser pago, sem falar na minha carteira roubada na piscina, em meu tablet no salão de festas..."
Um outro sócio, Alfredo Miranda, constata: "Aquela saída de veículos de dentro do clube para a João Paulo, que fica totalmente aberta, não transmite segurança alguma!"
Daniela Prado Leal protesta: "É muito triste o ocorrido ontem. Espero que tenha servido de lição e reflexão. Nosso clube virou quase uma casa de show; pagou, entrou. O réveillon é uma loucura, tem mais convidados que associados, um verdadeiro caos. Minha irmã é sócia desde criança e hoje mora em Macapá e veio para Belém e foi ao clube pedir suspensão da licença que ela solicitou por morar fora e foi barrada. Depois que ela reclamou, lhe deram 20 minutos para resolver tudo e sair. Enquanto isso, qualquer um que paga, entra e pronto. Assembleia Paraense, reveja seus conceitos e nos dê mais segurança e condições de frequentar o clube com tranquilidade!"
A manifestações como essas, a Assembleia respondeu que as ocorrências estão sendo apuradas e que vai avaliar sugestões de sócios para aperfeiçoar os procedimento de segurança do clube.

Remistas deixam Pirão de mãos abanando. Literalmente.

Eleitor ignora Zeca Pirão, que tenta cumprimentá-lo à entrada da quadra do Serra Freire. Esse foi o troco...
... para o mesmo Zeca Pirão que, em 2014, fez as declarações acima.
É isso mesmo que vocês leram no título desta postagem, meus caros.
Os remistas que no último sábado (23) elegeram André Cavalcante para presidir o Remo nos próximos nove meses, deixaram Zeca Pirão, literalmente, de mãos abanando.
Este repórter do Espaço Aberto esteve no ginásio Serra Freire, anotou, viu e flagrou momentos impagáveis de eleitores que deixaram Zeca Pirão, o candidato da Chapa 40, de mãos estendidas no ar.
Foi o caso desse flagrante que aparece acima. O candidato estende as mãos para cumprimentar um eleitor. Mas o cara não dá a mínima. Não mesmo. Passou a jato em direção à urna. E nem sequer se deu o trabalho de olhar para quem tentava cumprimentá-lo.
Isso se repetiu com vários outros eleitores que acintosamente, ostensivamente ignoraram as mãos estendidas de Pirão. Pelo menos com mais uns três ou quatro foi assim, conforme o repórter pôde observar durante uns 10 minutos.
A foto é emblemática.
Eleitores, com o gesto de ignorar o candidato, parecem dizer-lhe "faz de conta que morri", a mesmíssima frase que Zeca Pirão pronunciou para toda a nação remista ouvir, logo depois de ser derrotado por Pedro Minowa.
Os outros candidatos também fizeram corpo a corpo na entrada da área de votação, como vocês podem ver, abaixo, nas fotos do blog.

André Cavalcante aborda eleitor à entrada da área de votação, no ginásio Serra Freire
Coronel Maroja no corpo a corpo

Eleições comprovam, mais uma vez, a vitalidade do Remo




Mas que vitalidade a do Remo, hein, meus caros?
Independentemente de preferências clubísticas, reconheçamos, admitamos e proclamemos: o Remo, nas eleições do último sábado, deu mais uma prova de sua vitalidade.
Um clube que há dois ou três meses estava no limbo da Série D.
Um clube que enfrenta uma situação financeira caótica, desastrosa.
Um clube que, não bastasse a afetação de seu patrimônio em decorrência de sua bagunça financeira, ainda conta com a preciosa colaboração de remistas apaixonadíssimos, que ajudam a comprometer, para não dizer destruir, os bens que ainda restam e precisam, por isso, ser preservados.
Mesmo assim, quatro chapas concorreram às eleições. E mais de 2 mil associados compareceram para votar. Do lado de fora, talvez cerca de mil remistas participaram ativamente, apoiado seus candidatos.
Olhe as fotos que ilustram esta postagem, todas feitas pelo Espaço Aberto, no final da manhã do último sábado, dentro do ginásio Serra Freire e nas imediações da sede do Remo, na avenida Nazaré.
As imagens falam por si mesmas.
A movimentação era igual à de eleições para mandatos parlamentares e do Executivo, a cada dois anos.
Toda essa vitalidade precisa ser canalizada pelo bem do clube. André Cavalcante, eleito presidente com 777 votos, no último sábado. já terá dado um passo importantíssimo se compreender isso. Espera-se que compreenda em plenitude.
Era isso que o Espaço Aberto gostaria de ouvir do próprio André, mas ele não seu retorno.
De qualquer forma, sua missão será muito complicada. Será desafiadora em todos os sentidos.
Ele e Fábio Bentes precisam manter a transparência que norteia o programa Sócio Torcedor.
Precisam integrar-se a todas as correntes que integram o Remo e integrá-las para que possam unir o clube.
O Remo não é de fulano, beltrano ou sicrano. É dos remistas - sejam eles grandes beneméritos, cardeais, milionários ou gente simples e anônima (a enorme, esmagadora maioria) que espera receber o salário, ao final de cada mês, para reservar o valor do ingresso que lhe permitirá acompanhar o clube nos estádios.
Em comentário na postagem sobre a eleição de André Cavalcante, que o blog fez em sua página no Facebook, o grande benemérito e ex-presidente do Remo Ronaldo Passarinho escreveu, singela e emblematicamente o seguinte:

Paulo, sempre preguei, no amado Clube do Remo, união após o pleito. Entendo que o Remo não é partido político, que após assumir o poder tenta a destruição de seus adversários. Desde muito cedo, tenho uma máxima comigo: pouco importa quem é o presidente; o Remo está acima de tudo. Quero ter alegrias permanentes. Meu DNA é 100% azul marinho. Meu pai me fez sócio em 1952. Meus tios, Saint-Clair, no time profissional, e Jarbas, no time juvenil, foram campeões com a gloriosa camisa do CR. O hino diz: " se um dia formos unidos para a luta..."! Vamos atender à convocação feita pelo presidente André".

A convocação a que Ronaldo se refere, você pode ler aqui.
Assim é que deve ser.
Com a eleição de André Cavalcante e com o segundo lugar conquistado por Miléo Jr., os remistas deram uma demonstração eloquente e evidente de que o Remo não deve ser tratado como um trampolim político para quem quer que seja.
Remistas - verdadeiros, genuínos, sinceros, que têm o DNA 100% azul marinho, como ilustra Ronaldo - devem colocar o Remo sempre, sempre e sempre em primeiro lugar, e não subordiná-lo a outros interesses, que até podem, reconheçamos, ser legítimos, mas não podem e nem devem ter preponderância sobre a honrosa missão de dirigir o clube.
André Cavalcante, Fábio Bentes e os demais que compuserem a diretoria remista têm todas as condições de fazer - bem, muito bem - pelo bem do Remo.
Mãos à obra, pois.







Procurador do Ibama tem direitos políticos suspensos

A Justiça Federal condenou à suspensão dos direitos políticos por três anos um servidor acusado da prática de várias irregularidades quando ocupava o cargo de procurador autárquico no âmbito da Gerência Executiva do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Estado do Pará. As fraudes teriam causado, conforme aponta o Ministério Público Federal (MPF), a exploração ilegal de 205.865 metros cúbicos de madeira, num valor estimado em R$ 32,1 milhões.
Na sentença, prolatada na quarta-feira (20), o juiz federal Arthur Pinheiro Chaves, da 9ª Vara, especializada em ações de natureza ambiental, também impôs ao réu o pagamento de multa civil de dez vezes o valor da última remuneração percebida enquanto atuou como procurador autárquico, além da proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio pelo prazo de três anos. Ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília (DF).
O MPF demonstrou que o requerido, conforme se apurou no âmbito administrativo, retirou dos colegas procuradores Planos de Manejo Florestal Sustentável, rasurou os despachos da chefia da Procuradoria, apagou os nomes dos procuradores a quem os processos haviam sido distribuídos e apôs sua própria assinatura, proferindo despachos enganosos de aprovação de vários projetos de manejo.
Em juízo, o servidor negou ter retirado indevidamente processos localizados nos armários e falsificado nenhum documento público. Alegou ainda que não contribuiu para a ocorrência de qualquer dano ambiental, em razão do estorno dos créditos liberados nos planos de manejo. Informou também que, à época dos fatos, em 1997 e 1998, sua saúde estava comprometida em decorrência de dependência química, além de parecer de junta médica oficial favorável à sua readaptação funcional, que sido ignorada pela Administração do Ibama.
O magistrado não concordou com a tese do MPF, de que os despachos de aprovação proferidos pelo requerido nos projetos de manejo teriam resultado na exploração indevida de madeira em prejuízo do Estado brasileiro. “Os eventuais danos causados ao meio ambiente, em decorrência de conduta irregular atribuída ao requerido, no sentido de autorizar indevidamente a exploração de plano de manejo florestal, por certo, não afetaram nenhum dano ao patrimônio pertencente ao erário, mas sim à coletividade”, diz Arthur Chaves.
Danos ambientais
A 9ª Vara também não se convenceu com os argumentos do MPF, de que as fraudes praticadas teriam alcançado o valor exato de R$ 32.140.292,62. “Pelo que se observa dos autos, o Ministério Público, para quantificar o dano ambiental, valeu-se de critério insuficiente. Isso porque apenas somou os valores dos créditos florestais pleiteados nos Planos de Manejo Florestais aprovados indevidamente pelo requerido, sem comprovar se tais projetos florestais foram efetivamente explorados por seus detentores”, fundamenta Arthur Chaves. Para o juiz, além de o MPF ter deixado de comprovar a existência dos danos ambientais, “o próprio Ibama dá a entender que nem mesmo houve autuação das empresas beneficiadas pela aprovação irregular dos planos de manejo, corroborando a tese de inexistência do dano ambiental.”
A sentença ressalta, no entanto, que a conduta do procurador configurou, claramente, um atentado contra os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade. “Ao proferir despachos sem exigir a observância das exigências legais, o requerido praticou ato diverso daquele previsto nas regras de competência interna do Ibama. Isso porque, os projetos de plano de manejo por ele aprovados estavam distribuídos, segundo as normas internas de competência, a outros procuradores, sendo certo que o requerido os avocou para si sem autorização de seu superior hierárquico, e sem respaldo nas normas internas da instituição em que encontrava-se lotado à época dos fatos”, acrescenta o juiz.
Arthur Chaves destacou ainda que a autoria das condutas ilícitas atribuídas ao réu ficaram suficientemente demonstradas em procedimento administrativo disciplinar juntado pelo MPF aos autos. O juiz também também não acolheu a alegação de que a dependência química do procurador reduziu-lhe a capacidade de discernir a improbidade de sua conduta. “Isso porque, não obstante os indícios de redução de sua capacidade laborativa por uso de drogas, a perícia médica realizada pelo Ibama no curso do procedimento administrativo disciplinar, à época dos fatos, concluiu pela sua plena capacidade de entender a ilicitude de sua conduta”, reforçou o magistrado.
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Processo nº 2009.3900.012406-8 – 9ª Vara Ambiental (Belém)

A indignação, a quem interessa?



A indignação também é um dever. A escalada da montanha é árdua. É uma breve, mas duradoura e solar jornada rumo ao cume da montanha moral do nosso tempo. Ficamos angustiados por tentarmos e não chegarmos lá, somos candidatos a reiniciar tudo, por não encontrar o que se buscava - um sentido para a devassidão moral do século XX e ao que tudo indica parece ter continuidade neste século XXI. A lista de misérias da humanidade é extensa e muito complexa. Terrorismo, guerras, tragédias, fome, governos ineptos, governos corruptos - injustiças de toda sorte, enfim. Basta consultar às mídias. Os infortúnios do homem estão sempre lá, dos maiores aos menores.
No Brasil atual, agora mesmo, no Brasil de 2016, a verdade vem incomodando, e muitos gostariam que esquecêssemos, é que a miséria campeia. Além do autoritarismo e da violência que definem o país há décadas, converge-se neste momento, no absurdo da razão brasileira, para o ápice dessa mega crise política, criminal e econômica, que acomete o País desde, ao menos, o início de 2015. Não é normal que inflação bata recordes, os empregos desapareçam e a renda despenque. Não é normal que o líder do governo no Senado esteja preso, assim como os principais chefes do partido que comanda o país. Não é normal que deputados, senadores e ministros sejam acusados de corrupção e continuem tranquilamente em seus cargos. Essas coisas são absurdas. Como estamos no início ano trata-se de um bom momento para refletir sobre nossos males, sem complacência dos culpados.
Para muitos, a corrupção frenética dos últimos treze anos é imbatível na disputa pelo título de pior pecado da era lulista: quando se roubou mais do Tesouro Nacional? Outros tantos acham que o desastre número 1 é a sua incompetência sobrenatural para governar o país no dia a dia das coisas práticas: o que dizer de um governo que chegou ao fim do ano ameaçado de não ter dinheiro para pagar as contas de luz? Todas essas escolhas são corretas, mas talvez nada tenha mostrado tão bem a alma do Brasil atrasado, decadente e maligno que o PT liderou de 2003 para cá quanto à escolha da trapaça, pura e direta, como lei suprema da ação política e administrativa do governo.
Nosso País de hoje é o Pais do trem-bala, da transposição das águas do São Francisco e da entrada na Opep, entre outras miragens. Aqui se chega à classe média ganhando um salário mínimo por mês. Os governos que juraram "defender a Petrobras" provaram serem seus piores inimigos; a empresa está em ruínas, quem investiu em suas ações tem hoje um mico miserável, e só por conta do petrolão, segundo a última perícia criminal, ela foi roubada em mais de 40 bilhões de reais. Esse "momento mágico" da economia que Lula garantiu ter criado é o que se vê aí: 9 milhões de desempregos, inflação de dois dígitos, juros de agiotagem, o caixa do governo na porta da vara de falências. É um manifesto contra quem não é rico.
Na verdade, a mãe de todas as trapaças é o "resgate de 40 milhões" de brasileiros da pobreza, ou sabe-se lá quantos. Dezenas de países apresentam resultados melhores que os do Brasil no combate à miséria - com a vantagem de não terem caído, como aqui, numa recessão de 3,5% em 2015, e talvez outro tanto em 2016, o que tira dos pobres tudo aquilo que os governos Lula-Dilma disseram ter dado. Que progresso social é esse que faz com que as coisas andem para trás? O fato é que não transferiram "renda" nenhuma - apenas distribuíram dinheiro que não tinham e tomaram emprestado a juros extorsivos. O resultado é essa dívida pública monstro que hoje caminha para os 3 trilhões de reais e rende bilhões para a elite da elite, os "rentistas" com sobra no bolso para emprestar ao governo.
A indignação é um dever. Representa o desabafo de todos os brasileiros. 2015 deixou muitos fatos marcantes em questões que atingem as mais diferentes comunidades. Mas não dá para ficarmos apenas esperando soluções para tantos problemas. É fundamental o exercício da cidadania, caracterizada pela participação de toda a sociedade. Esse é o nosso maior desafio.

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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com